Bairros

Meta audaciosa e 'atraso' preocupam

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

Os dados da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) apontam para a necessidade de arrecadação de cerca de 80 mil peças, em boas condições, para atender as famílias em situação de pobreza hoje em Bauru. Ou seja, segundo os números oficiais da miséria, 25% da população bauruense necessita da ajuda da Campanha do Agasalho.

Apesar da representar uma meta 60% maior que a estabelecida em 2004 (50 mil peças), a titular da Sebes não hesitou em adotá-la para este ano, até como um desafio. Mesmo apoiada na equação aritmética que indica que se cada três famílias ajudarem uma carente a cidade conseguirá o sucesso desejado, Muniz sabe que a missão não será tão simples.

Até porque, segundo ela mesma admite, as campanhas do agasalho dos últimos anos, incluindo a atual, começam muito tarde. “A campanha foi deflagrada, mas a arrecadação efetivamente ainda não começou. Já corremos o risco de enfrentar uma frente fria. No ano que vem vamos começar mais cedo”, avisa a secretária.

Só a título de comparação, a Campanha do Agasalho na vizinha cidade de Marília foi deflagrada no início do mês de março, já foi encerrada com a arrecadação de aproximadamente 32 toneladas de peças, montante que já deve estar quase completamente distribuído antes do final deste mês. Se frio chegar antes ano, os marilienses estarão, teoricamente, mais prevenidos que os bauruenses.

Os números do passado em Bauru reforçam o temor de que, justamente por estes dois motivos (atraso e meta audaciosa), os objetivos da Campanha do Agasalho possam ficar aquém do estabelecido. Em 2004, por exemplo, a menos de 15 dias do encerramento da campanha, que também começou em maio, apenas 9 mil das 21 mil pessoas carentes (menos da metade) haviam sido atendidas.

Neste mesmo ano, a própria administração municipal admitiu que este atraso fez com que os agasalhos chegaram após o frio. À época, a prefeitura culpou uma suposta antecipação do inverno para justificar a situação. No entanto, o outono é uma época em que as temperatura podem cair sensivelmente - este ano, a menor temperatura (15 graus) aconteceu em março. Além disso, a estação tem uma peculiaridade em Bauru por vir acompanhado de um vento que acentua a sensação de frio.

Egli Muniz também explica os constantes aumentos nas metas de arrecadação. Ela lembra que as taxas de natalidade, mesmo em queda, ainda são maiores que a média nos extratos mais pobres da população. Mesmo recebendo doações todos os anos, as pessoas carentes não têm como variar o guarda-roupa e acabam “batendo” o agasalho recebido por todo o inverno, o que geralmente inviabiliza a sua utilização por mais de um ano.

Assistencialismo

A titular da Sebes aposta que, num futuro próximo, campanhas como a do agasalho poderão se livrar, pelo menos em Bauru, de seu caráter meramente assistencialista. Segundo ela, o projeto dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), que propõe a descentralização da rede sócio-assistencial por regiões de maior concentração de pobreza, pode contribuir para isso.

“Nosso objetivo é que haja um atendimento voltado para a emancipação do cidadão, através de projetos de geração de renda e capacitação profissional. Com isso, a campanha do agasalho passará a ser apenas mais um momento deste trabalho”, teoriza Muniz.

Atualmente, Bauru já tem duas unidades do Cras em funcionamento, um no Núcleo Nova Bauru e outro no Jardim Terra Branca. Até o final do ano, a Sebes programou a entrada em funcionamento de mais quatro unidades (Ferradura Mirim, Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá e Parque Real).

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