Polícia

Febem é destruída na segunda rebelião em menos de 24 horas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Duas rebeliões consecutivas, registradas em menos de 24 horas - uma no domingo à noite e outra ontem à tarde -, resultaram ontem no maior prejuízo patrimonial da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). Até ontem à noite, os danos não haviam sido calculados. Mas a fragilidade do prédio, que teve paredes, portas, torneiras, cadeiras e colchões destruídos, fortaleceu especulações da necessidade de interdição da unidade.

“Ainda vamos avaliar, mas não acredito na interdição porque pode trazer mais problemas do que solução. Junto com a de ontem (anteontem) foi a pior (destruição)”, afirma o diretor da unidade de Bauru, Jorge Pinholi. A declaração foi registrada ao final do motim de ontem, que mobilizou Corpo de Bombeiros, Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a Polícia Militar.

Com a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar, que disparou cerca de 12 bombas de efeito moral contra 19 rebelados da unidade de internação (UI), a rebelião foi encerrada por volta das 18h. Até o fechamento desta edição, não havia notícias de feridos, apesar do coordenador de equipe, cujo nome não foi informado, ter permanecido por cerca de três horas como refém, no telhado da unidade de internação.

Ele só foi liberado durante a ação da polícia, que aguardou por cerca de duas horas entendimento entre a Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania e a Secretaria da Segurança Pública para agir. Mesmo antes da autorização formal, a Tropa de Choque da PM entrou na unidade com o intuito de inibi-los (com a presença policial). Em resposta, os adolescentes voltaram a queimar colchões na entrada da UI, iniciativa adotada para formar uma barreira.

O fogo resultou em altas labaredas, controladas pelo Corpo de Bombeiros, que contou com o auxílio de um caminhão-pipa do DAE. Segundo a reportagem apurou, o hidrante da unidade apresentou problema. Com a ação dos bombeiros, a Tropa de Choque avançou sobre os rebelados que, rapidamente, teriam deitado no chão em sinal de rendição. Eles iniciaram o motim por volta das 15h, quando tomaram como refém o coordenador que foi dominado ao abrir a porta de um banheiro, a pedido deles.

O funcionário, conhecido por ter bom diálogo com os internos, teria sido ameaçado por menores armados com pedaços de ferro. O material, extraído de cadeiras, equipamentos de ginástica (alteres) e de ferramentas da unidade, fortaleceu os adolescentes, que conseguiram sair da UI, onde permaneciam 39 adolescentes. Eles teriam tentado negociar a liberação do refém em troca de radiocomunicadores.

Por causa do clima tenso, cerca de sete menores do seguro (isolamento) foram retirados do prédio, que ontem abrigava 74 internos. Os funcionários também deixaram a unidade. Todos ficaram na área externa do prédio, por onde o diretor também circulou em várias ocasiões.

De acordo com Pinholi, os adolescentes não apresentaram pauta de reivindicações. Pediram a presença do juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, e a recuperação de material destruído na rebelião anterior, registrada no final de março.

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ConseqüênciasFebem

Mobilização

• Helicóptero águia

• Tropa de Choque

• Canil

• Cavalaria

• Corpo de Bombeiros

• Caminhão-pipa do DAE

Foram destruídos

• Portas e paredes

• Computadores

• Armário de funcionários

• Academia de ginástica

• Material de segurança (capacetes e escudos)

• Cadeiras

• Torneiras

• Ferramentas

• Colchões queimados

• Pichações pela unidade

Últimas ocorrências

15/05 – Tentativa de fuga frustrada resulta em motim

22/03 – Alegada indefinição de pena provoca rebelião

21/03 – Fuga de 15 internos pelo portão principal

22/02 – Menor é morto na unidade de internação

16/02 – Seis funcionários apanham de internos

03/01 – Agentes frustram tentativa de fuga

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