Funcionários consultados pelo JC confirmaram que desde sexta-feira o clima da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) já anunciava a possibilidade de rebelião. Pior, há quem diga que a data de um provável motim havia sido adiada por causa a nomeação do novo diretor da unidade, Jorge Pinholi, na função há 20 dias. Mesmo assim, ele admitiu que os tumultos podem ter relação com uma eventual rejeição dos internos ao seu trabalho.
“Talvez eles tenham que engolir. Estamos acertando a casa, aprendendo algumas coisas. Sei que existem reclamações, algumas são justas”, afirma Pinholi ao referir-se também aos funcionários. À reportagem, alguns deles confirmaram contrariedade ao trabalho iniciado por Pinholi, que ressalta preocupação em seguir as diretrizes da fundação. “Vamos conversar com os funcionários para pensar em atividades de reforço (pós-rebelião). Por enquanto, os internos vão ficar trancados”, acrescenta do diretor.
De acordo com ele, ao optarem pela queima de colchões, os internos assumiram o risco de passar a noite mal acomodados até que a situação da unidade volte ao normal.
“Mas tudo aconteceu por aqui. Para a cidade não houve risco”, conclui Pinholi. No entanto, para o morador Luiz Tadeu Barreto, o tumulto em si já é péssimo. “Agora tem gente com medo de morar aqui (no Núcleo Habitacional Presidente Geisel). Todo dia tem rebelião. As casas do bairro desvalorizaram, tem gente que não consegue mais vender. É de se preocupar”, afirma.
Mais angustiada do que ele estavam a mãe e a irmã de um interno. Elas souberam da rebelião de domingo à noite e foram procurar informações ontem à tarde, quando ficaram surpresas com o novo motim. “Eu vim na visita (de domingo) e ele me disse que estava tudo tranqüilo. Tinha tido uma briga entre dois (adolescentes) no sábado à noite. Ele não comentou nada (sobre a rebelião)”, afirma a mãe.