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Os erros políticos de Lula


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Enquanto ainda resta um período de mandato ao presidente Lula, o mesmo já se preocupa com seu segundo termo, certo de que sua reeleição é um fato, com a certeza de que seu governo é um sucesso. Lula comete dois erros primários. O primeiro é acreditar que pode vencer o pleito do próximo ano facilmente. É certo que, como chefe de Estado e de Governo, com o controle da máquina pública nas mãos, este trabalho fica mais fácil, entretanto, entrar em uma disputa sentindo o gosto da vitória é o primeiro passo para a derrota.

Ao presidente falta articulação política, e tal inépcia leva o governo a uma situação delicada. Desde a metafórica queda de José Dirceu, após o escândalo Waldomiro Diniz, o governo ainda não achou seu maestro político. Por mais que se discorde das idéias do Chefe da Casa Civil, enquanto este esteve à frente da articulação, o governo seguia um rumo, que podia ser equivocado, mas seguia para algum lugar. Hoje, por culpa do próprio presidente, sem um maestro na condução da orquestra ou com um mastro sem batuta, o Planalto viu sua base se esfacelar no Congresso, se tornou refém de grupos políticos e, como se não fosse o bastante, entregou a eleição da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em uma badeja de prata para a oposição, que agora faz o Planalto se humilhar a cada votação e derrota no Parlamento.

Atualmente, o presidente enxerga no PMDB sua tábua de salvação, pois acredita que, com a indicação de um vice deste partido, teria duplo significado: levaria o PT aos grotões não alcançados nas eleições municipais de 2004 e lançaria as fortificações de uma sustentável base governista para um eventual segundo mandato do presidente Lula. O PMDB, sempre cortejado, não é um partido, mas uma agremiação de diversos grupos, incapazes de uma unidade partidária que forneça sustentação a qualquer governo, podendo se esfacelar na primeira curva. Somente dois partidos chegam aos grotões: PMDB e PFL. Entretanto, esquecem-se os petistas que somente um candidato chega a todos esses lugares: o presidente Lula. O PSDB parece ter aprendido a lição, sabendo que sua aliança deve ser com o PFL, o único partido que chega aos grotões do Brasil e tem disciplina e unidade suficientes para acertar as bases para as eleições e fornecer uma eficiente base governista parlamentar. A chapa da oposição pode se desenhar com o governador paulista Alckmin e o deputado baiano Aleluia, os senadores Jereissati e Tuma, podendo o prefeito César Maia ainda ser uma opção de unidade dentro do PFL.

O PMDB sozinho na disputa pode pender para os dois lados. Pode se tornar o coadjuvante de uma disputa polarizada ou pode se tornar a terceira-via do embate PSDB/PFL e PT. Nesse vácuo que pode ser abrir, se enquadra como potencial candidato o governador gaúcho Germano Rigotto. Entretanto, se o vácuo precisar ser aberto, isso será uma tarefa para o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. De qualquer forma, vale lembrar do mais importante: o mais forte candidato ainda é o presidente Lula, e somente ele e o PT podem fazer com que esta eleição seja perdida pelo atual inquilino da Granja do Torto. O problema é que, lembrando a desenvoltura política mostrada pelo seu grupo até o momento, isto não é impossível. Resta a oposição mostrar um mínimo de competência.

O autor, Márcio Coimbra, é advogado, professor de direito constitucional e Internacional do UniCEUB e articulista

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