Economia & Negócios

Sindicalistas são detidos em manifesto

Por Ricardo Santana | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Doze sindicalistas ligados ao Sindicato dos Bancários de Bauru e Região foram detidos pela Polícia Militar (PM) ontem, por volta das 11h30, durante manifestação realizada em frente à agência do Santander Banespa localizada na quadra 6 da rua Rio Branco. Os sindicalistas alegam que a manifestação era pacífica e que foram surpreendidos por uma ação truculenta de policiais. A PM nega uso excessivo de força.

Durante o ato, em que protestavam contra a demissão de três funcionários do banco, os sindicalistas teriam tentado fechar a agência, segundo a polícia. A ação foi reprimida pela PM, que utilizou gás pimenta contra os manifestantes. A intervenção gerou confronto e provocou a detenção de 12 representantes sindicais no 3.º Distrito Policial (DP).

Para o sindicato, os policiais não tiveram capacidade de diálogo e agiram de maneira truculenta. Paulo Martins, representante da entidade sindical, entende que houve abuso de autoridade e acrescenta que a manifestação tinha como objetivo orientar os clientes no uso do caixa eletrônico anexo à entrada da agência.

Martins acusa um representante do banco, não identificado pela reportagem, de ter pressionado os funcionários concentrados na garagem a entrar para trabalhar. Essa mesma pessoa, de acordo com o sindicalista, teria acionado a PM.

“Foi a coisa mais violenta que a gente percebeu na polícia (PM) de Bauru. Empurraram vários dirigentes para dentro do banco jogando gás de pimenta no rosto de todo mundo. Até cliente foi atingido lá no caixa eletrônico. Foi uma atitude irresponsável”, avalia o sindicalista. Ele garante que os funcionários teriam aceito manter a paralisação.

Para o capitão PM Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Companhia da PM, não houve uso excessivo de força policial, mas sim o cumprimento da lei de greve. “As pessoas que querem trabalhar têm a segurança prevista por lei. Pedimos o entendimento da comunidade porque, algumas vezes, temos que ser enérgicos o suficiente para que a legislação seja cumprida.”

De acordo com o oficial, os policiais somente intervieram porque a passagem principal de acesso à agência bancária estava bloqueada por um cordão de isolamento humano. “É uma desobediência à lei e nós temos de tomar providências, mesmo que não agrade a todos. Mas se tiver havido ação irregular dos PMs, os fatos serão apurados”, assegura.

O advogado do Sindicato dos Bancários, Sandro Luiz Fernandes, argumentou, em nota à imprensa, que o direito de greve dos funcionários foi lesado quando o banco passou a tratar a questão como caso de polícia, o que resultou na detenção de vários sindicalistas.

Ontem à tarde, a subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Bauru, entidade à qual o sindicato é vinculado, divulgou nota à imprensa repudiando a ação policial e observando que, “em nenhum momento, houve abuso por parte dos manifestantes que possa justificar tal ação”.

“Pacífica”

De acordo com um dos sindicalistas detidos, Marcos Lenharo, a manifestação corria pacificamente até a chegada dos policiais. “Nós não estávamos impedindo nenhum cliente de utilizar os serviços disponíveis na agência, como os caixas eletrônicos. É de praxe, em toda manifestação pública, a polícia acompanhar. Mas desta vez, houve uma interpretação errada por parte de dois policiais, que acionaram o Comando da PM. A ação deles foi muito truculenta e os policiais espirraram gás de pimenta nos olhos de todos os sindicalistas”, conta Lenharo.

O diretor do sindicato destaca que a ação policial feriu o direito legal à greve, já que no momento da manifestação o banco não havia apresentado nenhum documento judicial que impedisse a presença dos manifestantes no local. “Somente por volta das 18h o banco conseguiu na Justiça o interdito proibitório (ação cível utilizada especificamente para evitar danos à propriedade)”, diz Lenharo.

A assessoria de imprensa do Santander Banespa se limitou a informar que o banco não vai se pronunciar sobre o assunto.

Após o tumulto, a agência bancária foi reaberta aos clientes por volta das 12h20. O último sindicalista que prestou depoimento foi liberado do 3.º DP às 19h30. Na última sexta-feira, o Sindicato dos Bancários já havia realizado protesto em frente à mesma unidade do Banespa, expondo a instalação “Estamos com o saco cheio de demissões”. Nenhum problema foi registrado.

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Depoimentos

O delegado Elias Evangelista Bueno, do 3.º Distrito Policial (SP), ouviu ontem 17 pessoas sobre o episódio ocorrido em frente à agência do Santander Banespa na quadra 6 da rua Rio Branco. Do total, 12 eram integrantes do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região e os demais eram policiais militares e funcionários do banco. Hoje o delegado deve prosseguir as investigações sobre o caso, colhendo depoimentos de testemunhas.

De acordo com Bueno, foi registrado o termo circunstanciado n.º 138/05 baseado no artigo 197 do Código Penal, que prevê o direito de ir e vir dos trabalhadores, resistência e desobediência. As testemunhas que o delegado pretende ouvir hoje poderão ajudar a elucidar a situação, já que os depoimentos de sindicalistas e policiais militares são totalmente divergentes.

“Os sindicalistas afirmam que a manifestação era pacífica. Já os policiais dizem que foram afrontados e xingados pelos manifestantes, mas não sabem apontar exatamente quem fez isso. No entanto, acusam os sindicalistas de resistência e desacato. Os sindicalistas negam isso veementemente e afirmam que a intenção nunca foi de barrar clientes nem funcionários, desde que tivessem o desejo de entrar (na agência)”, relata o delegado.

Segundo ele, os sindicalistas chegaram ao 3.º DP por volta de 13h15 e foram liberados um a um, após os depoimentos. O último deixou a delegacia às 19h30.

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