Bairros

Mãe perde filho e inicia ação de combate à leishmaniose

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Ao ser informada da morte de seu primogênito, a dona de casa Ana Maria Lellis assumiu o compromisso de combater a crescente incidência de leishmaniose em Bauru. Aos 26 anos, o filho dela morreu em decorrência da doença, só confirmada em abril deste ano. No entanto, desde 2003, Fernando Lellis Krupelis já apresentava os sintomas da moléstia.

“Vou fazer uma operação de guerra (no combate à leishmaniose). É um problema gravíssimo. O pessoal acha que estamos exagerando, mas só a gente sabe o que ele sofreu. Parece que arrancaram metade de mim, mas eu estou mais forte que todo mundo”, diz Ana Maria. Na opinião dela, o trabalho de conscientização desenvolvido pela administração municipal é moroso desde a gestão anterior.

“Eu só faltei apanhar (de vizinhos). As pessoas têm terreno e não limpam. Tem gente que esconde animal de estimação (infectado). Mas é melhor perder cachorro do que filho. O pessoal tem de ter cuidado, tem de ser alertado”, diz. Para driblar a recusa de donos de cães a entregarem para eutanásia os animais diagnosticados como portadores de leishmaniose, a prefeitura recorrerá à Justiça, conforme anunciou há 15 dias.

No entanto, até ontem, a Secretaria Municipal dos Negócios Jurídicos ainda estudava o tipo de ação que proporá, com base no relatório elaborado pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC). O órgão, ligado à Secretaria de Saúde, também planeja a execução de um plano paralelo de combate à doença, que independe da aprovação do Legislativo. A estratégia prevê registro, identificação e estímulo à castração da população canina, atualmente estimada em 70 mil.

“Estamos estudando a instalação de um centro cirúrgico no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para castrar animais”, informa diretor do DSC, Mario Ramos. De acordo com ele, também estão sendo avaliadas a instalação de chip e coleira repelente nos animais. Além da verificação de qualidade, o material também está sendo orçado. A média de preço deles no mercado é de R$ 12,00 e R$ 5,00, respectivamente.

Em entrevista recente concedida ao JC, Ramos explicou que durante o plano paralelo, o papel do ser humano no tratamento do cão será priorizado. Até agora, os trabalhos de conscientização destacavam o ciclo de contágio da doença, cujo vetor é o mosquito palha. O inseto se reproduz em material em decomposição e, quando infectado, transmite a doença a cães e humanos. Só neste ano, oito pessoas contraíram a moléstia e duas morreram.

Mesmo assim, Eduardo Severino da Silva confessa que não conhece muita coisa sobre leishmaniose. Ele mora no Jardim da Grama, bairro onde há suspeitas de que Fernando tenha sido infectado. “Só sei que aqui tem bastante pernilongo. Não conheço direito (informações sobre a doença). Acho que deveriam explicar mais”, conclui. Embora o Jardim da Grama não tenha registros em humanos, está situado em área de foco da doença, cuja concentração maior é verificada no Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva (Bauru 16).

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