Economia & Negócios

Seca preocupa produtores de verduras

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O período de estiagem que vem sendo registrado em Bauru está preocupando produtores de verduras e outras culturas, mesmo os que trabalham com irrigação. Segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a ocorrência média de chuvas na cidade no mês de maio é de 59 milímetros. Até ontem, ainda não havia chovido nenhum dia.

De acordo com o produtor José Yamaguti, que trabalha com estufa e com produção de campo, a seca prolongada está prejudicando principalmente as verduras, além das plantações de mandioca, frutas e as seringueiras de sua propriedade. Na avaliação dele, se não chover nos próximos dez dias os consumidores poderão passar a sentir o problema num provável aumento de preços dos produtos.

“Quem não trabalha com irrigação, na estiagem prolongada não consegue produzir. No meu caso, os custos com a irrigação aumentam muito, porque para ter qualidade e quantidade de produção eu preciso deixar o sistema (de irrigação) funcionando por um tempo bem maior. Meu gasto com energia elétrica, que move o sistema, sobe cerca de 30%”, observa o produtor.

Na avaliação de Yamaguti, se as chuvas não vierem nos próximos dez dias, aproximadamente, ele não conseguirá mais absorver o aumento dos custos para manter a produção. O resultado inevitável acaba sendo a alta de preços do produto final. “A irrigação nunca é igual à chuva, que influencia na quantidade da produção”, acrescenta.

A mudança brusca de temperatura, passando recentemente do clima mais ameno de outono para as temperaturas mais elevadas, também prejudica a produção. O sol castiga as folhagens, sendo que este é um dos principais motivos para a queda dos preços ao consumidor final durante o outono e inverno.

O produtor Shigeru Sato também avalia que a continuidade da estiagem acabará resultando na alta de preços de vários produtos para o consumidor. Segundo ele, para que o sistema de irrigação dê conta da falta de chuvas para não prejudicar a produção, seus gastos dobraram.

“Com a ausência de chuva, temos que ficar o dia todo irrigando a plantação (de verduras). Se isso não for feito, os problemas aumentam. As chuvas prolongadas características do início do ano chegam a prejudicar mais a plantação do que a seca atual. Mas como os custos com irrigação sobem muito, recentemente tive que aumentar em cerca de 20% o preço de custo das verduras”, observa Sato.

Paulo Sanches, gerente de compras de uma empresa supermercadista com três lojas em Bauru, diz que desde o mês passado não estão sendo registradas grandes oscilações de preços nas verduras. “A situação tem sido estável.”

A atenta consumidora Maria Celina Lobato Une diz que, nos últimos dois meses, não tem precebido aumento de preços nas verduras. Contudo, produtos como tomate, brócolis e milho verde estão mais caros.

“Um tomate bonito chegar a custar R$ 3,20 o quilo. Outro dia, o brócolis estava custando R$ 4,50 num supermercado, sendo que antes eu pagava em torno de R$ 2,50. Hoje (ontem), na feira, duas espigas de milho verde estavam custando R$ 1,00. Na semana passada eram quatro espigas por esse preço”, afirma.

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Sem chuva

O meteorologista Adelmo Antônio Correia, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), diz que a média climatológica de chuvas para o mês de maio em Bauru é de 59 milímetros. Até ontem não tinha chovido na cidade desde o início do mês. A previsão para hoje e amanhã em todo Estado de São Paulo é de céu com pouca nebulosidade, sem chuva.

“Mesmo ainda não tendo chovido até hoje (ontem), nada impede que uma frente fria passe por aqui e chova 59 milímetros em apenas um dia. A situação é diferente do que ocorre em janeiro, por exemplo, em que a média (de chuva) é de 223 milímetros”, observa.

O meteorologista explica que o outono é uma estação de transição - na qual os índices de chuva caem bastante -, passando da estação chuvosa para a seca, que é o inverno. A estação mais fria do ano começará às 3h46 do dia 21 de junho, quando as temperaturas cairão e a umidade relativa do ar tende a subir.

Neste mês, a temperatura mínima registrada pelo IPMet em Bauru foi de 13 graus, e a máxima, 30 graus. Ontem, às 15h, a umidade relativa do ar era baixa, de 39%.

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