Tribuna do Leitor

Marginais


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A página policial do JC, de 18/5, informou aos bons leitores deste jornal que um roubo foi frustrado em Bauru após o capotamento do veículo usado na fuga pelos meliantes, que, por sua vez, momentos antes, haviam invadido uma residência ocupada por seus moradores (uma família inteira!). A família se negou a abrir o portão de sua casa aos marginais, que simulavam o pedido de um copo de água. Não obstante o morador ter corrido para dentro da residência e se trancado em um quarto, em ato contínuo, eles arrombaram o portão, a porta da casa e invadiram a residência com o claro propósito de roubar, estando esses marginais “devidamente” resguardados e encorajados em sua atividade criminosa por uma arma de fogo (ilegal e sem registro), que o tal estatuto do desarmamento (das vítimas, claro!) não desarmou coisa nenhuma! Enquanto isso, o cidadão, proprietário do imóvel, que com certeza é um trabalhador honesto, pagador de impostos e homem probo, estando absolutamente desarmado e indefeso para o exercício daquilo que seria tranqüilamente tipificado como legítima-defesa em lei frente à invasão de sua casa por homens mal intencionados e o perigo que isto representava naquele momento à sua família nada pôde fazer para defender sua vida, bem como a de seus familiares e impedir o esbulho violento de seu suado patrimônio. Palmas para os ingênuos e equivocados “poetas” do desarmamento e outros filósofos de botequim que vivem a enaltecer a rendição do honesto frente ao desonesto por acreditar que, assim agindo, suas vidas não correrão risco, posto que, colocando estas sob o arbítrio e decisão do meliante, este de bom grado nada fará de pior apenas porque o cidadão “colaborou” ao não reagir como que firmando um estranho acordo onde a sociedade entra com a vida, deixando ao bandido o “direito” de decidir se esta deve seguir ou não!

Só mesmo nesses nossos tempos de total inversão de valores, onde o homem de bem está preso dentro de casa e o marginal solto nas ruas é que tal “raciocínio” encontra terreno fértil para vigorar, mormente em cabeças de alto nível e de notável saber jurídico a exemplo do meu nobre professor e presidente da OAB de Bauru, Edson Reis, que, infelizmente, é defensor do desarmamento tendo defendido neste jornal tal (e ao meu modo de ver) equivocada postura!

Desarmar quem é honesto não é, e também nunca foi, em qualquer período da história humana, solução para se diminuir índices de violência, mas faz a alegria dos bandidos que não seguem lei alguma e de alguns governos que adoram sociedades incapazes de reagir a certos ditames. Em comum a uni-los, apenas uma vítima, a sociedade...

Paulo Boccato - acadêmico de direito

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