Tribuna do Leitor

A desfiguraçào da bandeira brasileira


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Nós aprendemos desde criança e ensinamos como professores de que a bandeira brasileira, uma das mais belas do mundo, possui quatro cores e que cada uma simboliza uma realidade ou riqueza. Assim, o azul nossos 8 mil abençoados e invejáveis quilômetros de mares; o amarelo, as riquezas do subsolo; o branco, a paz; e o verde, nossas matas. No entanto, há tempos as cores simbólicas estão se descolorindo pela inconseqüência e irresponsabilidade de brasileiros não patriotas, como a constante poluição de nossos mares e extermínio de sua fauna, a exploração e mudança de nossas jazidas para outros países, a violência cotidiana nas cidades e campos, o gradativo e imperceptível desaparecimento de nossas matas que a mãe natureza levou milhões de anos para fazer. Porém, quero restringir-me ao verde da bandeira e às nossas matas. O governo encaminhou recentemente à Câmara Federal para ser discutido em caráter de urgência, fato que aliena das discussões a participação das forças vivas da sociedade brasileira, um projeto de lei que possibilitará a concessão, por até 60 anos, de 13 milhões de hectares de matas públicas e que, segundo informação não convincente, será uma área correspondente a “apenas 3% da Amazônia”. A concessão viável de 5 a 60 anos poderá ser feita a particulares e, inclusive, multinacionais. A justificativa do governo para este projeto que trata da gestão de matas públicas dentre as quais se sobressai a amazônica, é a de que será um meio para a produção sustentável e de que também irá coibir a grilagem das terras. Inegavelmente, como dizem os defensores intransigentes deste patrimônio nacional, a aprovação de uma lei com tal sentido será abrir as portas da Amazônia para o mundo, sua internacionalização, sua gradual derrubada com conseqüências incalculáveis para a humanidade, em que nós próprios brasileiros nos situamos. Se hoje as concessões representam apenas 3%, que pressupõe-se serão explorados no início, pergunta-se: a que percentuais chegarão em um futuro não muito longe? Como será a exploração e o que será explorado nessas áreas que, certamente, não serão pequenas? Haverá fiscalização eficiente e constante para verificação do cumprimento das cláusulas? Imaginemos a concessão de uma área da mata amazônica ou qualquer outra mata pública por um período de 60 anos que iria até 2065 ou 2070, quase no final do século. Poderão ser retomadas? Essas são interrogações que devem ser feitas e para as quais não se encontram respostas certas ou verdadeiras. Ressalte-se a afirmação corajosa do general de reserva Luiz Gonzaga Lessa, presidente do Clube Militar e ex-comandante militar da Amazônia, de que “os maiores interessados no manejo das florestas serão as serrarias da Malásia, Tailândia, Coréia, China e do Japão, que já destruíram suas florestas e agora vêm destruir as nossas”

Um, dois ou mesmo três governos representam um tempo muito curto na ordem da história para conclusão se a lei é certa ou errada, se boa ou má! Os nossos pósteros terão que considerar o “teste do tempo” para saber. Não são as pessoas ou governantes que podem dizer, mas apenas o tempo. Em minha opinião, que eu não sei se é errada ou correta, esta medida será maléfica para o nosso País, sem retorno para a sociedade e para a história do Brasil, haja vista os exemplos incontestáveis do presente como o sucateamento e o desaparecimento de nossas ferrovias, na geração e distribuição da energia elétrica, nas comunicações, desmatamento, assoreamento, poluição dos rios e futura falta de água no Planeta. Uma segunda bandeira deve ser desfraldada pelos nossos homens públicos, governantes e grandes empresários. Não aquela do imediatismo, mas do verdadeiro patriotismo e da responsabilidade, esperando que o Brasil cresça em todas as dimensões sem a lapidação de nossas riquezas, principalmente de nossas abençoadas matas!

Joaquim Eliseo Mendes - professor

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