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Poço do Parque União tem caverna submersa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Munido com ar comprimido, nadadeira, roupa de mergulho, cabo de salvamento e câmera fotográfica aquática, o Corpo de Bombeiros realizou ontem à tarde o mapeamento do poço localizado no interior do bosque do Parque União. O objetivo da operação foi o de apurar as possíveis razões que já resultaram na morte por afogamento de três pessoas no local. Confirmado como perigoso, o local é recheado de armadilhas. Entre elas, duas cavernas submersas.

“Elas têm um salão (área) grande. Dá para entrar com o corpo todo. A pessoa pode mergulhar, entrar lá e ter dificuldade (para emergir)”, explica o tenente Adilson Reis, comandante dos postos de Bombeiros de Bauru. De acordo com ele, que acompanhou o trabalho do mergulhador às margens do poço, a profundidade é de quatro metros.

Ainda segundo Reis, o fundo dispõe de diversos enroscos, como pedras, tampas de bueiro, galhos, folhagens, sacos plásticos, ferragens e restos de material de construção. “Tem risco. A água parece insalubre, inadequada para banho. Está tão turva, que não deu boas fotos. Além disso, tem o perigo das pedras (no entorno do poço). Elas são escorregadias”, diz.

As avaliações constarão em relatório que será encaminhado ao comando do Corpo de Bombeiros na próxima semana, quando completará um mês da última morte registrada no local. A partir do documento, a coorporação poderá sugerir à administração municipal medidas para evitar novos acidentes.

Mas em aproximadamente 30 dias, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) deve colocar pedras amarroadas no fundo do poço para diminuir a profundidade. A medida só não foi adotada ainda porque a empresa que fará a doação das pedras não juntou material suficiente, informa o titular da Semma, Carlos Barbieri.

De acordo com ele, quando o serviço for concluído, o bosque será completamente cercado por alambrado. A área, destinada para lazer há mais de dez anos, também será contemplada com trilhas para caminhada. “Pedi para a prefeitura um segurança (que fique no local durante o dia para evitar situações de risco). Mas é um pouco mais demorado, porque teria que criar o cargo”, informa Barbieri.

Moradores próximos reclamam que o bosque também é utilizado para o consumo de entorpecentes, para prostituição, como esconderijo de objetos furtados e depósito de material em decomposição. “Aqui é perigoso, principalmente à noite. A situação é muito complicada. Quando precisam de voto, aparecem por aqui, fazem várias promessas e depois abandonam”, conclui Antonio Carlos Silveira Almeida, morador das imediações.

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