A Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru analisou tecnicamente e aprovou a qualidade dos bloquetes feitos de cimento, pedra e areia que estão sendo confeccionados pela prefeitura em parceria com o Instituto Penal Agrícola (IPA) para o calçamento das ruas. O laudo, entregue ontem ao prefeito Tuga Angerami (PDT), aponta que os bloquetes, testados de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), estão adequados para vias de tráfego leve.
A informação é da assessoria de imprensa da prefeitura. Agora que o bloquete foi testado e aprovado, a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear) e a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária vão assinar um convênio para concretizar a parceria que visa colocar as ruas de Bauru em ordem.
Os reeducandos do IPA já estão produzindo bloquetes sextavados para calçamento de ruas e avenidas que já tenham galerias. Na parceria, o IPA cede a mão-de-obra. O material, cimento, pedra e areia, está sendo fornecido pela prefeitura e Departamento de Água e Esgoto (DAE). A Unesp entra com a assistência técnica no controle de qualidade.
Por enquanto, a média de produção é de 450 a 500 pedras por dia. “Neste ritmo, podemos calçar uma rua (100 metros de comprimento) a cada oito dias”, calcula o titular da Sear, Nelson Fio. Mas a expectativa é de chegar a 800 pedras por dia, com a construção de mais um barracão para abrigar as máquinas.
Os bloquetes têm de ser curados durante dez dias, no sol e na água, alternadamente. Depois, estão prontos para ser assentados. De acordo com o diretor do Centro Agroindustrial do IPA, Roberval Cervantes, a vida média de cada pedra é de 100 anos, para cargas médias. Por isso, o projeto deverá contemplar bairros periféricos, onde o tráfego de veículos não é tão pesado.
O primeiro deles a receber a novidade foi o Núcleo Nove de Julho. No início deste mês, Tuga foi ver de perto o projeto piloto que a Secretaria das Administrações Regionais está implantando no bairro. Quatro quadras estão recebendo calçamento com os bloquetes. Só nestas quadras serão assentados 6.200 bloquetes (cada um pesa cerca de 13 quilos).
O prefeito aprovou a iniciativa da Sear. Segundo ele, esta é uma resposta criativa à falta de recursos do município. Tuga lembrou também que a alternativa é prática, pois não causa danos no caso de reparos da rede de abastecimento de água no subsolo, além de ser mais barato do que o asfalto.
De acordo com a Sear, a principal vantagem do bloquete é que o metro quadrado do calçamento é quase um terço mais barato que do asfalto. Moradores das quadras que recebem o calçamento ficaram tão entusiasmados que resolveram colaborar com os funcionários da Sear na colocação das pedras, ansiosos por ver os trabalhos concluídos.
Um dos moradores, Adão Carvalho, lembrou sem saudades dos anos em que a rua se transformava num lamaçal em dias de chuva. “Agora vai ficar bonito”, disse ele.
Recebem o calçamentos as ruas Cândido Mariano da Silva Rondon, quadras 1 e 2; rua Professor Luís Daré, quadra 1 e rua Francisco Gabriel de Andrade, quadra 1. A Sear pretende dar seqüência ao projeto nos bairros Mutirão Primavera, Fortunato Rocha Lima, Jaraguá, Parque União e Jardim Ferraz.