Economia & Negócios

Unesp e USP fazem paralisação dia 24

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Professores e funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP) vão suspender as atividades em Bauru no próximo dia 24. O ato integra a campanha salarial da categoria, que reivindica 13% de reajuste. Neste dia será feita a segunda rodada de negociações entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e Fórum das Seis, entidade que congrega os sindicatos de docentes e funcionários da Unesp, USP e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - que também prevê parar.

O presidente do Fórum das Seis, Milton Vieira do Prado Júnior, diz que entre todos os câmpus das três universidades citadas, a adesão à paralisação é acima de 90%. Ainda segundo ele, dependendo do resultado da reunião da semana que vem, serão feitas novas assembléias da categoria para deliberar possível greve a partir do 31 deste mês.

Na próxima terça-feira, está prevista a saída de uma caravana com docentes e servidores da Unesp e USP de Bauru para participar de uma manifestação, às 13h, em frente à reitoria da Unesp em São Paulo, onde ocorrerá a reunião de negociação.

“Na primeira rodada de negociação, no dia 12 deste mês, o Cruesp propôs 4% de reajuste imediato sobre o salário de maio (data-base da categoria) e uma conversa, em outubro, para avaliar a possibilidade de um reajuste complementar de 3,79%, perfazendo o total de 7,94%, caso a arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) estimada para este ano atinja o montante de R$ 37,7 bilhões (no Estado)”, diz Prado.

Segundo a assessoria de imprensa da Unesp, a estimativa citada situa-se entre a projeção de arrecadação do Cruesp (R$ 37,2 bilhões) e do Fórum das Seis (R$ 38,2 bilhões). “Como se trata de previsão, não é possível para os reitores definir agora o índice de reajuste que poderá ser oferecido à categoria. Mas o Cruesp já se comprometeu a se reunir com o Fórum das Seis (em outubro) para analisar uma possível recuperação salarial”, informa a assessoria.

Perdas salariais

O presidente do Fórum das Seis diz que foi colocado como meta da campanha reivindicar uma reposição de perdas que culminasse com a volta do salário-base de 2001, quando a categoria conseguiu o maior índice de reposição salarial. Para isso, o percentual de reajuste a ser aplicado deve ser de 13%. Também faz parte das reivindicações a criação de uma política salarial com reajuste trimestral a partir da variação da inflação e da arrecadação do ICMS.

“Nós levamos em conta a inflação medida pelo ICV do Dieese, que está em 8,49%. Já o Cruesp adota o índice da Fipe, que está em 7,94%. Então, a nossa reivindicação é essa inflação (Dieese) mais a diferença percentual que retorna ao índice de 2001”, detalha Prado.

De acordo com ele, a previsão do Cruesp em relação à arrecadação do ICMS para 2005 já está 10,7% acima do que o Estado previa quando foi efetuado o orçamento das três universidades estaduais. “O problema é que eles (reitores) colocam um fator limitador no reajuste que é liberar 10% do comprometimento das folhas de pagamento com o custeio”, observa o presidente do Fórum das Seis.

“Com isso, esse reajuste de 4% já oferecido pelo Cruesp significa zero no final das contas. Isso porque o ganho que nós tivemos com a greve das três universidades no ano passado, estamos perdendo com a inflação. Ou seja, em 2004 eles ofereceram zero com uma inflação de 4%. Neste ano, o índice de inflação é de 8% e os reitores oferecem 4%, o que significa reajuste zero. Então, não é uma proposta viável”, acrescenta.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) em Bauru, Marina Costa Moreira, não tem boas perspectivas sobre a rodada de negociações da próxima terça-feira, em São Paulo.

“No ano passado a gente já teve que aceitar um índice de reajuste bem abaixo do que solicitávamos, porque as negociações não avançaram mais. Neste ano, o reitor da USP já falou que não quer briga e impasse, até porque tem eleição (para a reitoria) em novembro. Mas na minha opinião, acho que nada vai mudar até o final deste mês e que a greve acabará sendo deflagrada”, avalia.

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