Economia & Negócios

Dólar baixo acelera as vendas de itens importados em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

As constantes quedas do dólar - cuja cotação já caiu cerca de 7% neste ano - em relação ao real têm irritado as empresas exportadoras. Mas no comércio, quem trabalha com artigos importados está comemorando o incremento das vendas, já que produtos dos mais diversos segmentos tiveram essas quedas repassadas ao preço final. Ontem, o dólar terminou o pregão cotado em R$ 2,441.

O comerciante Carlos Prando diz que as bebidas e perfumes comercializados em sua loja estão de 10% a 15% mais baratos. A mesma variação percentual é apontada por ele no crescimento das vendas de artigos importados sobre o mesmo período do ano passado.

“Algumas compras da loja são feitas junto aos distribuidores que representam marcas importadas no Brasil. Outras, eu faço diretamente com o fabricante. Então, vamos supor que eu compre um lote de vinhos com prazo de 90 dias de pagamento no Exterior. Eu sempre pago pelo dólar do dia, ou seja, se eu tiver dinheiro para pagar agora e o dólar está baixo, eu faço isso e saio ganhando caso o dólar volte a subir antes do fim do prazo de 90 dias. Mas também pode ocorrer o contrário”, observa Prando.

Segundo ele, como a cotação do dólar vem sendo baixa desde o início do ano, muitos clientes se acostumaram a encontrar itens importados na loja com preços atraentes. As opções passam por diversos tipos de vinhos, uísques e outras bebidas até perfumes, queijos, panelas e uma linha completa de aparelhos eletrodomésticos.

“Se eu juntar o dólar baixo com o fato de a loja ter mudado para uma localização bem melhor que a anterior e com estacionamento próprio, o aumento das vendas em relação a maio do ano passado chega a 40%. As pessoas gostam de produtos diferentes, de qualidade e requinte. Por isso, a cotação do dólar vai diretamente ao encontro do bom gosto do consumidor”, comenta Prando.

A professora Yara Martins comprova a queda dos preços dos vinhos, sua bebida preferida. “Há vários meses, os vinhos e uma série de outros produtos importados estão com preços mais acessíveis. Eu acho ótimo e espero que a cotação do dólar continue favorecendo os consumidores”, diz.

Espaço

Especialistas no mercado financeiro avaliam que há espaço para a cotação do dólar cair ainda mais. Mesmo que o Banco Central intervenha mais fortemente no mercado de câmbio, dificilmente terá poder de fogo para neutralizar a pressão exercida pela enxurrada de dólares que entra todos os dias no mercado brasileiro, segundo analistas.

A proprietária de uma loja especializada em perfumes, Cleusa Torres Witzler, diz que desde o mês passado as vendas vêm aumentando gradativamentde. Ainda segundo ela, de olho no dólar baixo muitas pessoas já estão pesquisando preços para comprar o presente do Dia dos Namorados, comemorado no próximo mês.

“As constantes quedas na cotação do dólar fizeram com que os perfumes importados ficassem com preços muito interessantes. Hoje eu tenho na loja perfume francês a partir de R$ 35,00, por exemplo. Na faixa de R$ 35,00 a R$ 100,00, a variedade de opções em perfumes famosos é imensa e as vendas estão indo muito bem. Tenho ótimas expectativas para o Dia dos Namorados”, afirma a lojista.

Segundo ela, um dos perfumes mais procurados da loja custava R$ 59,00 no início do ano. Agora, o preço caiu para R$ 40,00. Outro passou de R$ 54,00 para R$ 39,00. “Muitas pessoas vêm para comprar um presente e, como encontram muitos produtos com preço bom, acabam levando também para uso pessoal.”

O gerente de compras de uma rede supermercadista de Bauru, Paulo Sanches, acredita que os reflexos da queda de preços de artigos importados serão realmente sentidos pelos consumidores no segundo semestre. Já o gerente de uma loja de brinquedos, Manoel Nascimento Corrêa Júnior, diz que as vendas estão indo bem, mas que há espaço para melhora.

A cada ano, novas marcas importadas chegam ao Brasil e ampliam seus investimentos no País. A Ferrari, por exemplo, viu as vendas de seus carros aumentarem 20% no Brasil no ano passado. Recentemente, a joalheria Tiffany abriu sua segunda loja em São Paulo, ao lado da italiana Bulgari, do mesmo segmento.

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