Vítimas da ação do tráfico, da vida em cativeiro e da perda de ecossistemas, os animais silvestres têm sido presas fáceis para o homem.
Mas o mesmo homem que submete esses animais a condições de vida inadequadas também é capaz de desenvolver projetos de recuperação e reintrodução de várias espécies na natureza.
Uma dessas iniciativas tem ocorrido de forma bem sucedida em Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru). No município, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Instituto Floravida, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Ambiental e prefeitura, mantêm um centro de triagem e reabilitação de animais silvestres. Instalada na Fazenda Experimental Lageado, há cerca de três anos a unidade recebe espécies apreendidas em cativeiro e, trabalha com o objetivo de realizar a soltura adequada desses animais em seu habitat natural.
Os animais silvestres pertencem a espécies nativas da fauna brasileira e são freqüentemente alvos do tráfico. A estimativa da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), é que cerca de 38 milhões de espécies sejam retiradas de seu habitat natural anualmente no Brasil. Na área da 2.ª Companhia de Polícia Ambiental, que abrange a região de Bauru, foram cerca de 400 animais retirados de cativeiros irregulares no ano passado (lei mais na página XX).
A falta de locais para onde esses animais apreendidos possam ser encaminhados e reabilitados para soltura é um fator que dificulta a ação dos órgãos fiscalizadores, como o Ibama e Polícia Ambiental. O maior problema atinge os animais silvestres já domesticados que necessitam de um trabalho de reabilitação para serem reintroduzidos na natureza. “O trabalho completo para soltar um papagaio (domesticado) é oneroso, podendo chegar a R$ 5 mil”, estima a chefe do escritório regional do Ibama de Bauru, engenheira agrônoma Lélia Lourenço Pinto. Segundo ela, projetos como o que vem sendo desenvolvido hoje em Botucatu, com respaldo de instituição de ensino e iniciativa privada, abre boas perspectivas de recuperação da fauna silvestre.
Nacional
O professor do setor de animais silvestres da Unesp de Botucatu, Nabor Veiga, afirma que os zoológicos credenciados pelo Ibama têm a obrigação de receber animais provenientes de apreensões, entretanto muitos não apresentam condições de atendimento.
“Hoje nenhum zoológico do Brasil tem mais condições de comportar esses animais. Por isso, foram criados esses centros de triagem de animais silvestres (Cetas). Além disso, a função do zoológico não é reabilitar animais para a soltura”, destaca.
Lélia afirma que há cerca de três anos o Ibama iniciou um projeto nacional chamado Cetas Brasil para atacar o problema da destinação de animais apreendidos.
“Atualmente, existe recurso contingenciado do governo federal (ainda não disponibilizado para o Ibama) no valor de R$ 16.315 milhões para o desenvolvimento desse projeto no País inteiro”, destaca.
Os Cetas têm a finalidade de recepcionar, triar e tratar os animais silvestres resgatados ou apreendidos por órgãos fiscalizadores. A unidade também recebe doações de espécies selvagens que estavam sendo mantidas em cativeiros domésticos de forma irregular como animais de estimação.
No Estado, segundo Veiga, existem atualmente apenas cinco centros de triagem em funcionamento. Os Cetas devem ser gerenciados pelo próprio Ibama ou por outras instituições, em sistema de convênio ou parceria, sob a supervisão do órgão.