Mesmo quando apresentam boas condições de saúde e baixo grau de mansidão, os animais silvestres apreendidos por órgãos fiscalizadores só podem ser soltos na natureza com autorização judicial. Devido a essa exigência legal, o projeto Centrofauna também organizou um setor jurídico para agilizar os processos de soltura. “A gente ainda tem um entrave muito grande junto aos fóruns”, destaca Nabor Veiga, professor da área de animais silvestres da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu.
Durante o processo de reintrodução, também é necessário realizar estudos detalhados sobre as áreas naturais que podem receber os animais. Quando a vida de determinada espécie ocorre em regiões distantes, o trabalho torna-se mais complicado.
“Se o animal pertence ao Nordeste, por exemplo, ele não pode ser encaminhado para lá e já ser solto. É preciso de outro centro de triagem para recebê-lo, fazer a quarentena e todo o controle sanitário para que ele poder ser colocado em processo de soltura”, destaca a zootecnista Janaína Mello, coordenadora do setor de reabilitação e integração ambiental do projeto Centrofauna.
Veiga lembra que quanto maior o tempo de vida em cativeiro, maior é a dependência do animal dos cuidados do homem. Nesse contexto, problemas como musculatura atrofiada, perda da capacidade de vôo e da habilidade de fugir dos predadores são recorrentes.
Em dezembro do ano passado, o projeto realizou a primeira soltura de animais. Quatro aves foram reintroduzidas em uma área de soltura cadastrada no Ibama, de 13 hectares, que pertence ao próprio Instituto Floravida. Na semana retrasada, outras 15 ganharam liberdade.
As aves foram identificados com anilha para que os profissionais possam realizar monitoramento. Segundo a zootecnista Janaína Mello, futuramente o objetivo é realizar esse trabalho de acompanhamento através de chips.
Hoje, o projeto de reabilitação de animais silvestres em Botucatu conta apenas com a participação do Instituto Floravida, mantido pelo Grupo Centroflora. Entretanto, Veiga ressalta que outros representantes da iniciativa privada têm demonstrado interesse em integrar a iniciativa.
Rede de informações
De acordo com o professor da Unesp Nabor Veiga, além do trabalho de reintrodução dos animais silvestres na natureza, o projeto Centrofauna pretende desenvolver a longo prazo uma rede de informações entre os centros de triagem para auxiliar os órgãos fiscalizadores na identificação de rotas e possíveis envolvidos com o tráfico.
O objetivo é viabilizar um banco de dados, a partir das informações dos boletins de ocorrência formulados no momento da apreensão dos animais em cativeiro.
Paralelamente a esse trabalho, o projeto pretende realizar ações voltadas para reabilitação e expansão de áreas de preservação permanente, protegendo o habitat dos animais silvestres.
Os profissionais também pretendem intensificar as ações de educação ambiental nos entornos das áreas naturais de soltura para minimizar as pressões antrópicas, como a derrubada de matas e a prática da caça.