Além de participar do projeto do centro de triagem e reabilitação de animais silvestres, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu mantém uma unidade para atendimento de casos emergências envolvendo espécies selvagens. É o chamado Centro de Recuperação de Animais Silvestres.
Um tamanduá com queimaduras de terceiro grau, um jabuti atingido por machado, e uma seriema com fratura na perna foram alguns dos casos atendidos na última semana na unidade, inaugurada no início deste ano.
Com capacidade para abrigar 12 animais com patologias, a unidade conta com o trabalho de alunos e pesquisadores. Durante o atendimento, também são desenvolvidos estudos para conhecer melhor os aspectos biológicos, fisiológicos e genéticos dos animais silvestres.
“Quando chega um animal aqui de espécie diferente pesquisamos a alimentação e o manejo adequados”, diz o professor Carlos Teixeira, responsável pela unidade.
Em geral, as espécies atendidas são encaminhadas à faculdade pela Polícia Ambiental, Polícia Rodoviária Corpo de Bombeiros, Ibama, e zoológicos municipais. A maior parte estava em seu habitat natural e foi vítima de algum tipo de acidente, como atropelamento ou intoxicação e queimaduras provocadas por incêndio.
Em média, segundo Teixeira, os animais têm ficado cerca de um mês no local. Durante o tratamento, o ideal é que os animais silvestres tenham o mínimo de contato com os homens, para evitar que sejam submetidos a um processo de domesticação.
Entretanto, a tarefa não é fácil e a equipe não esconde certo apego aos doentes, que chegam até a receber apelidos. Um tamanduá que ficou sob tratamento recentemente na unidade, conquistou a equipe técnica e os pedreiros que trabalhavam no local. “Um dia cheguei aqui e vi um pedreiro chupando sorvete com o animal”, relembra o professor.
Na última terça-feira, um novo tamanduá mirim, que foi encaminhado com graves queimaduras ao centro de recuperação, despertou a alegria da equipe. Ele fez a primeira refeição por conta própria, sem a ajuda de sondas, desde que havia chegado à unidade, há cerca de uma semana. O tamanduá foi atingido durante a queima de um canavial.
De acordo com levantamento feito pelo Grupo de Estudos de Animais (Geas), que atua no centro de recuperação, 63% do total de animais atendidos na unidade são salvos.
Ampliação
Segundo Teixeira, já existe um projeto para ampliação do centro de recuperação, que prevê a construção de novos alojamentos, com tanques e áreas de terra. Hoje, a unidade tem capacidade para comportar até grandes felinos.
Com a reforma, o professor espera construir recintos com temperatura controlada, apropriados para abrigar animais mais fragilizados como aqueles que se submeteram à cirurgia.
Depois de recuperados, os animais são encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Ceta) localizado na própria Unesp, a zoológicos e criadouros autorizados pelo Ibama ou para seu habitat natural.
O professor alerta que, ao encontrar um animal silvestre ferido, as pessoas devem acionar órgãos competentes como o Ibama e Polícia Ambiental para prestar socorro.
“Com a mentalidade de proteger e salvar os animais, muita gente quer pegá-los e levá-los ao hospital, mas esses animais transmitem zoonoses, doenças aos seres humanos. Por isso, são os órgãos oficiais que devem fazer a captura e o socorro”, destaca.
Serviço:
O telefone do escritório regional do Ibama é o (14) 3203-0151.