Regional

Tráfico é foco de atuação da Polícia Ambiental

Michelle Roxo
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Michelle Roxo

Quando o assunto é a fauna silvestre, o principal foco de atuação da Polícia Ambiental na região de Bauru é o tráfico. O problema atinge principalmente as aves, presentes em 95% das apreensões. Pintassilgo, canário, galo de campina, cardial, bigodinho, coleirinha e papagaios estariam entre as principais espécies traficadas.

O restante das apreensões envolve mamíferos, especialmente macacos-prego e pequenos primatas como sagüis, e répteis, como o jabuti.

Na área da 2.ª Companhia de Polícia Ambiental, que abrange municípios da região de Bauru, 433 animais silvestres foram apreendidos em 2004. Neste ano, até a semana passada, o total de apreensões chegava a 169. Em geral, a polícia localiza os cativeiros através de denúncias anônimas, segundo o comandante da companhia, capitão Marcelo Sanches.

A chefe do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de Bauru, engenheira agrônoma Lélia Lourenço Pinto, afirma que a região - especialmente o trecho cortado pela rodovia Marechal Rondon - é rota de tráfico de animais silvestres provenientes do Pantanal. Um dos destinos é a Capital. De lá, esses animais seriam encaminhados inclusive para o exterior.

De acordo com o Ibama, durante o tráfico, além de sofrerem maus-tratos em cativeiros, há animais que são feridos e mutilados no momento da captura. Também são transportados sem água, comida ou espaço adequados, fatores que podem levá-los à morte. Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), apontam que de cada dez animais traficados, nove morrem.

Lélia lembra que é um desafio conscientizar a sociedade sobre o tema e afirma que enquanto houver demanda haverá tráfico de animais silvestres. Na avaliação da chefe do escritório regional do Ibama, domesticar animais selvagens é um problema cultural no Brasil. “Esse é inclusive um costume indígena”, ressalta.

A manutenção das espécies selvagens em cativeiro sem autorização do Ibama é considerada ilegal, de acordo com a Lei dos Crimes Ambientais. A multa prevista vai de R$ 500,00 a R$ 5 mil por espécie apreendida.

Desequilíbrio

A retirada de animais silvestres da natureza de forma indiscriminada desequilibra os ecossistemas. De acordo com o professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp, Nabor Veiga, 80% das espécies vegetais de florestas tropicais e ao menos 50% de florestas subtropicais são disseminadas pela fauna.

“Quando a pessoa retira o animal silvestre da natureza, ela está tolhendo essa potencialidade de disseminação”, ressalta.

Entretanto, reintroduzir esse animal na natureza sem estudos e acompanhamento de especialistas também pode provocar desequilíbrio ambiental. Por isso, a soltura deve ser realizada apenas pelos órgãos competentes, como o Ibama.

Unidades

Na área de abrangência do escritório regional do Ibama, que envolve 78 municípios, além da unidade de Botucatu, também o Zoológico Municipal de Bauru realiza o serviço de triagem de animais silvestres.

A chefe do escritório regional do Ibama de Bauru, engenheira agrônoma Lélia Lourenço Pinto, ressalta que a unidade de Botucatu apresenta hoje melhor infra-estrutura para o desenvolvimento do trabalho, já que conta com o suporte técnico da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp e o apoio da iniciativa privada.

“O zoológico de Bauru funciona como centro de triagem, mas sua área não é utilizada (para o processo de reintrodução dos animais na natureza). Os animais são encaminhados para guardiões ou solturas”, destaca a chefe do Ibama.

Quando não é possível realizar a soltura, os animais podem ser encaminhados a criadouros legalizados pelo Ibama, a guardiões, ou centros de pesquisa, que permanecem como responsáveis pelo animal até a determinação judicial sobre sua destinação.

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