De acordo com fisioterapeuta Marta Helena De Conti, os exercícios terapêuticos aplicados no tratamento da incontinência urinária baseiam-se, especialmente, em duas técnicas: a cinesioterapia (terapia do movimento) e a eletroestimulação (com hoques elétricos suaves).
Especialista em fisioterapia aplicada à ginecologia e obstetrícia e coordenadora do curso de fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, De Conti explica que a escolha entre um recurso e outro vai depender da causa do distúrbio (leia mais abaixo).
A cinesioterapia é utilizada em casos mais leves ou na prevenção da incontinência urinária. O paciente é orientado a contrair e relaxar voluntariamente a musculatura pélvica várias vezes, em ritmos e posições adequadas, fazendo um trabalho semelhante ao da musculação convencional.
Já a eletroterapia é mais utilizada em pacientes que apresentam um enfraquecimento maior dos músculos do assoalho pélvico. A técnica consiste na aplicação de estímulos elétricos no canal da vagina ou pelo ânus (em homens), promovendo uma contração involuntária e repetida dos músculos.
“A eletroterapia usa um aparelho específico, que é devidamente esterilizado. Com o auxílio de um gel, o eletrodo é introduzido e o fisioterapeuta aplica o estímulo em doses controladas, de acordo com a tolerância do paciente”, descreve De Conti.
Aluna do quarto ano de fisioterapia, Dulce Gleika Sertori está pesquisando a eficácia dos tratamentos isolados e combinados. “Separamos as pacientes em dois grupos. Metade está sendo tratada com cinesioterapia e a outra metade com cinesioterapia e eletroestimulação. Os resultados preliminares mostram que ambos os grupos evoluem muito bem”, informa.
Elas explicam que a avaliação considera vários fatores: o número de trocas de absorventes e fraldões, a quantidade de urina perdida em cada situação e a freqüência dessa perda urinária.
Indolor
Sertori afirma que a fisioterapia aplicada no tratamento da incontinência urinária não causa nenhum tipo de dor ou desconforto. Porém, por ser uma técnica endovaginal, é comum as pacientes apresentarem certa resistência ao tratamento, especialmente as mulheres mais velhas.
“Por isso, antes de iniciar o tratamento, há um grande trabalho de preparo e orientação, até para que a paciente tenha confiança na gente. E quando elas percebem a melhora, logo nas primeiras sessões, esse tabu cai”, ressalta.
Segundo ela, a redução rápida da incontinência devolve aos pacientes auto-confiança e mais liberdade para o convívio social, contribuindo enormemente para a qualidade de vida deles. “Inclusive no aspecto sexual, já que os estímulos fazem aumentar a sensibilidade local, o que chama muito a atenção das pacientes”, comenta Sertori.
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Resultado rápido e satisfatório
A fisioterapeuta Marta Helena De Conti salienta que pacientes com incontinência urinária tratados por fisioterapia percebem melhora dos sintomas logo nas primeiras duas ou três sessões. Em média, o controle adequado da urina requer cerca de 20 sessões (duas vezes por semana).
Uma dona de casa de 61 anos, cujo nome será omitido a pedido da Universidade do Sagrado Coração (USC), conta que começou a sofrer de incontinência urinária há cinco anos, depois de uma cirurgia em que retirou útero, ovários e trompas.
“Comecei a perder urina e isso foi aumentando. Voltei ao médico, tomei remédios e de nada valeu. Então, há dois anos, fiz uma nova cirurgia, mas continuei perdendo urina. Eu achava um absurdo, aos 60 anos, eu ter de usar absorventes”, lembra.
O agravamento do distúrbio obrigou a dona de casa a mudar seus hábitos. “Eu deixei de viajar. Uma vez fui à casa de meu filho com um vestido de linho amarelo que eu adoro. De repente, quando levantei, havia uma mancha atrás do vestido. Fiquei muito constrangida”, comenta.
A freqüência da perda urinária obrigou a dona de casa a mudar seu vestuário. Para esconder os fraldões e absorventes, trocou as calças justas por saias e passou a usar somente blusas compridas e para fora das saias. Até para fazer ginástica precisava ter cuidado, pois perdia urina ao descer da bicicleta ergométrica.
“Um dia, o médico sugeriu a fisioterapia e foi o que resolveu”, ressalta. O tratamento começou há cerca de seis meses e em dois meses ela já se sentia mais segura. “Agora já voltei ao meu guarda-roupa normal, com roupas mais moderninhas. Tenho 61 anos, mas sou vaidosa, gosto de me vestir bem”, destaca.
Questionada sobre desconforto durante a fisioterapia, a dona de casa admite que sentiu muita vergonha no início do tratamento. “Mas eles tratam a gente com todo respeito e o constrangimento do tratamento é insignificante perto do constrangimento de perder urina perto de alguém”, garante.