Saúde

Disfunção tem várias causas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

O médico urologista Roberto Marins de Carvalho explica que a perda involuntária de urina pode ocorrer por diversas alterações. A mais freqüente, segundo ele, é a incontinência urinária por esforço, caracterizada especificamente pelo enfraquecimento da musculatura pélvica.

“Toda vez que a pessoa tosse, espirra, ri, levanta-se, sobe uma escada ou pega peso, ocorre um aumento da pressão abdominal. Em situações normais, os músculos pélvicos se contrairiam para resistir a essa pressão. Mas quando esses músculos estão fracos, eles não resistem e ocorre a perda de urina”, descreve.

Essa alteração é mais freqüente em mulheres. Estima-se que 15% a 30% da população feminina apresente o distúrbio, incidência que pode ultrapassar os 50% após a menopausa, devido às alterações hormonais. “Mas isso faz com que as mulheres encarem a incontinência como um processo natural do envelhecimento e não procurem ajuda. Não é verdade. Existe tratamento e elas devem procurar o médico urologista ou ginecologista”, orienta.

A incontinência urinária também pode ser transitória. É o que ocorre, por exemplo, nos primeiros dias do pós-parto, até que o corpo da mulher volte ao normal. Ou quando uma infecção urinária induz à contração da bexiga. Nesse caso, basta tratar a infecção e o problema desaparece.

Na incontinência urinária genuína, a causa da perda involuntária de urina está no mau posicionamento da bexiga. Isso pode ocorrer em mulheres que tiveram muitos partos (normais ou não), em mulheres obesas ou naquelas que passaram por esterectomia (cirurgia de retirada de útero, ovários e trompas).

Nos três casos ocorre perda de sustentação dos músculos que circundam a bexiga e a uretra. “Antigamente, esses casos só eram tratados com cirurgia. Hoje já sabemos que a fisioterapia pode oferecer resultados melhores”, comenta o médico.

Há também a incontinência por urgência miccional, em que a pessoa sente uma vontade incontrolável de urinar e, se não encontra um banheiro imediatamente, não consegue controlar e perde urina. Para esses casos, o tratamento mais indicado é o uso de medicamentos.

“Também é freqüente nos consultórios a incontinência urinária por problemas neurológicos congênitos ou causados por traumas de coluna, como no caso de paraplégicos. A anomalia ou lesão impedem que a pessoa tenha controle sobre o trato urinário. A fisioterapia é muito importante nesses casos, pois ajuda a pessoa a reconhecer e controlar seus músculos”, encerra.

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