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Nudismo pode ser alternativa de prática social, aponta psicóloga

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

Apesar de contar com milhares de adeptos e associações, entre elas a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), o naturismo ainda é encarado com ressalvas por grande parte da população. Uma das causas seria a desinformação a respeito do assunto, aponta o naturista José Mariano da Silva Jr., um dos diretores do primeiro grupo do gênero em São Paulo, o Sampanat, e membro da FBrN.

“A maioria das pessoas imagina que ser naturista é viver uma grande sacanagem a vida toda. Isso realmente não acontece”, pontua ele. Waldemar Rodrigues da Motta, vice-presidente da FBrN, defende que o problema não é a nudez, mas a forma como as pessoas olham para ela.

“A questão do nudismo é difícil porque muitas pessoas possuem enraizados princípios sociais e religiosos. As pessoas vêm com essas heranças do passado e, hoje em dia, quando se fala em uma reunião onde todos vão ficar sem roupa, podem achar que isso não funciona ou que não está certo”, diz ele.

A psicóloga e professora de psicologia social e sociologia da Universidade do Sagrado Coração (USC) Sonia Maria Alves Paschoal explica que o naturismo ainda não é aceito por grande parte das pessoas devido ao comportamento histórico da sociedade. “O uso de roupa vem em função da divisão do trabalho e de uma sociedade industrial e capitalista, que propõe o ‘eu’ como algo reservado e não exposto, como a possibilidade de ficar sem roupa”, diz.

Surge, a partir daí, a dificuldade em aceitar grupos ou filosofias diferentes em uma sociedade que determina a ordem e as regras como forma de racionalizar o trabalho e o comportamento, aponta a professora. “No momento em que essa sociedade industrial entra em crise, em função do trabalho, formas de produção e organização social, também entra em crise a proposta de regras morais em função do comportamento social”, diz.

“Vivemos nesse momento, talvez, algumas possibilidades de voltar a ter um comportamento naturista para resgatar essa humanidade”, acrescenta Sonia. Para ela, o nudismo não está ligado à conotação sexual, mas como uma possibilidade de resgatar as relações humanas. “Pode ser uma alternativa para sair do mundo racionalizado”, diz.

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Lei

O naturismo, ou nudismo, não é regulamentado pela legislação brasileira. Sua prática, entretanto, pode, em alguns casos, ser classificada como ato obsceno, artigo 233 do Código Penal.

De acordo com a lei, é proibido praticar ato obsceno em lugar público ou aberto ou exposto ao público, sob pena de três meses a um ano de detenção ou pagamento de multa.

No caso da nudez dentro das residência, não há lei proibitória. Mas o ato de andar nu em ruas, praças ou outros locais públicos, por exemplo, pode, em determinadas situações, ser enquadrada como ato obsceno. O mesmo pode valer para a prática da nudez em praias não-oficiais ou toleradas.

A prática de nudismo como ato obsceno, porém, é avaliada com ressalvas pela Federação Brasileira de Naturismo (FBrN). “É preciso ter outras conotações, como a necessidade de gestos e da pessoa estar impondo, agindo ou interferindo com outras pessoas O simples fato de estar nu em uma praia não significa interação”, defende José Mariano da Silva Jr., membro da FBrN e um dos diretores do Sampanat, associação nudista de São Paulo.

Segundo ele, a prática do top less (seios à mostra) não é classificada como ato obsceno em diversas regiões. “Mas a pessoa, logicamente, está sujeita às regras do clube ou da praia”, ressalta.

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Praias

As praias brasileiras estão sob o domínio das prefeituras, que podem autorizar a prática oficial de nudismo nessas áreas. Existem poucas praias oficiais de naturismo no País, segundo a Federação Brasileira de Naturismo (FBrN).

Uma delas é a Praia do Pinho, localizada no Balneário Camboriú, Santa Catarina. Primeira praia oficial de nudismo no Brasil, ela é protegida pela polícia e segue o código de ética da FBrN, fiscalizado pela Associação de Amigos da Praia do Pinho (AAPP). O local conta com bares, camping, pousada e área para estacionamento.

Em outras praias, o nudismo é tolerado, ou seja, ele é aceito mas o adepto assume qualquer tipo de risco com a prática. Esse é o caso da Praia Brava, em Caraguatatuba, São Paulo. Confira a seguir, outras praias de nudismo do Brasil.

Oficiais

• Tambaba: Localizada em João Pessoa, Paraíba. É rodeada por falésias e pedras. O mar é tranqüilo e limpo, sem riscos para os banhistas. Os freqüentadores se encarregam de fiscalizar o cumprimento do código de ética da FBrN.

• Massarandupió: Situada em Entre Rios, Salvador, Bahia. É uma área de proteção ambiental, onde desovam tartarugas marinhas. Existem dois bares no lugar. A prática de nudismo é coordenada pela Associação Baiana de Naturismo (Abanat).

• Barra Seca: A praia fica numa ilha, em Linhares, Vitória, Espírito Santo. Há duas pousadas do lugar, além de uma barraca mantida pela prefeitura. A Congregação Naturista do Estado do Espírito Santo fiscaliza o código de ética.

• Galheta: Em Florianópolis, Santa Catarina. É muito freqüentada por surfistas e possui piscinas naturais. Tem pouca infra-estrutura e o acesso é pela Ilha de Florianópolis, ao lado da Praia Mole. A prática de naturismo é coordenada pela Associação Amigos da Galheta.

• Pedras Altas: Localizada em Palhoça, perto da Ilha de Florianópolis. Tem mar calmo e poucas ondas, além de pousada, restaurante e camping no lugar. O código de ética é fiscalizado pelo Clube Naturista de Pedras Altas.

Não-oficiais

• Praia do Alto - Ubatuba, litoral paulista

• Praia Brava - homômina da praia de Caraguatatuba, se localiza em São Sebastião, São Paulo

• Praia de Boiçucanga - São Sebastião, SP

• Olho de Boi - Búzios, Rio de Janeiro

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