As previsões anunciaram um outono e inverno gelado. Porém, fenômenos como o El Niño impedem que os termômetros fiquem muito baixos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do Estado, onde se localiza Bauru. Isso basta para que as pessoas assumam um visual “cebola” no dia-a-dia: camadas e camadas de roupas, como tricôs, lãs, casacos pesados e cachecóis, usadas uma em cima da outra.
Para enfrentar o frio da manhã, todos saem cobertos. Por volta do meio-dia, quando as temperaturas sobem, começam a “descascar” o figurino. Ao entardecer, as peças vão sendo novamente colocadas. “Isso é muito comum porque temos um inverno tropical”, diz Maria Fernanda Hinke, consultora de moda e professora de marketing em moda do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
A vendedora Adriana Medeiros de Souza adota o estilo “cebola” em seu dia-a-dia. Ela sai para trabalhar às 7h30 e só volta para casa às 18h. “Costumo usar um casaco e uma jaqueta, mas quando chego na loja tiro e fico apenas com uma camisa”, conta.
O look “desmontável” também é o mesmo para as auxiliares administrativos Flávia Kimura e Gisela Xavier, que chegam cedo ao escritório. “Normalmente coloco uma blusa leve, ou de meia manga, e um casaco quente. Mas logo tiro a peça mais pesada”, diz Flávia. “Quando está muito frio, coloco uma meia-calça por baixo da calça. Se esquentar, é só tirar”, completa Gisela.
Para ajudar a compor com elegância o visual “cebola”, as mulheres podem apostar em casacos básicos e de cores neutras, aponta Maria Fernanda. Tricôs, jeans, calças de veludo e tweed, botas e cachecóis também ajudam a compor o figurino. As dicas também valem para os homens.
Clássicos
Os casacos, blazers e malhas no estilo clássico - em lã, tweed, couro, nylon - e nas cores preto, branco e bege não caem de moda e ficam bem misturadas com outras peças, aponta a consultora de moda.
As cores berrantes ou estampas devem ficar como segunda opção, já que não combinam com todas as peças e podem cansar o visual. “É preciso primeiro ter o básico, depois se pode começar a investir nos casacos de cores mais ousadas”, ressalta Maria Fernanda.
Outra dica, observa ela, é ficar atento em relação ao tamanho da peça. “O casaco não deve ser muito justo ao corpo. Assim a pessoa não perde os movimentos e é possível usar uma lã por baixo. Se a pessoa veste ‘m’, por exemplo, pode comprar uma peça ‘g’, tomando cuidado para que os ombros não fiquem caídos”, detalha a consultora.
Tricô e cacharrel
As roupas da linha outono/inverno costumam ser mais caras e não é uma grande pedida comprar muitas peças da coleção. Uma dica é investir em tricôs, lãs e malhas usadas por baixo dos casacos. “Peças como cacharrel e tricô podem ser encontradas a partir de R$ 15,00 no mercado”, diz Maria Fernanda.
Para quebrar o visual sério, uma sugestão é usar tricôs coloridos e também apostar nos cachecóis - disponíveis em várias cores e tecidos - que ajudam a aquecer e fizeram sucesso nos guardas-roupas do ano passado. “Eles esquentam o pescoço e podem ser facilmente tirados”, diz a consultora.
Twin-set
Outra peça que assume com estilo o efeito “cebola” e costuma estar presente em todas as estações é o twin-set, casaco mais regata (que pode ser de alças ou com mangas), feito da mesma cor e tecido e estruturado ao corpo. “É uma boa saída. Quando a pessoa sai para trabalhar de manhã com o casaco, é só tirar se esquentar. E continua com as peças combinando”, comenta a consultora de moda.
Feminino e prático, o modelito ganha mais delicadeza se combinado com saias ou calças estruturadas. No primeiro caso, podem ser usadas com meias-calças. “As trabalhadas em fio 40 ou caneladas protegem e são mais quentinhas”, diz Maria Fernanda, destacando que a dica se estende aos taiers. Além disso, detalha a consultora, nos dias mais frios, saias ou vestidos podem ser combinados com casacos ou jaquetas um pouco acima ou do mesmo comprimento das peças.
Calças
Outro clássico, o jeans é uma das peças fundamentais do visual “cebola”. “Eles já são quentinhos e apropriados para as baixas temperaturas”, recomenda Maria Fernanda. O veludo - em especial o cotelê - e as calças de tweed, inspiradas no guarda-roupa masculino - também são pontos altos do figurino. “Num dia mais frio, a pessoa pode colocar uma meia-calça por baixo ou uma meia de lã nos pés. É preciso ficar atento para não colocar uma peça por cima da outra porque pode marcar ou deformar o corpo”, ressalta ela.
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Cuidado com os hits
Tendência de moda, os xales e ponchos invadiram algumas vitrines, mas eles não são tão práticos para compor o estilo “cebola”.
“Quando se coloca um poncho, o máximo que se pode usar por baixo é uma lã de manga comprida. Ele não proporciona o aquecimento do casaco”, explica a consultora de moda Maria Fernanda Hinke. A mesma recomendação se estende para os xales, diz ela. “Mas nos dias em que a temperatura está mais amena, eles podem ser usados para compor um visual diferenciado”, enfatiza.
Outro alerta é quanto aos casaquetos. Estruturados e mais curtos, eles também são hit da moda. Para o dia, o ideal, segundo a consultora, é apostar nas peças de cores neutras e padronagens lisas, que são mais básicas. Os casaquetos coloridos e os estampados, como o xadrez, são mais indicados para a noite.
Botas
Com lugar cativo no armário de todas as estações, as botas também são ótimas para os dias frios. Algumas vem forradas com tecidos especiais, que ajudam a aquecer e proteger ainda mais o pés.
Em geral, são usadas por dentro das calças, mas há ainda a possibilidade de usar as botas por fora dos jeans, aponta Maria Fernanda. “Para usá-las dessa forma, as botas precisam ser de cano médio, e as calças com boca afunilada”, destaca.
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Para homens
O efeito “cebola” também atinge a moda masculina. Para se proteger do frio e não passar calor durante o dia, a dica para homens é investir em jaquetas, tricôs e coletes, explica a consultora de moda Maria Fernanda Hinke.
As cores devem ser básicas: branco, bege e preto, destaca ela. Os homens que trabalham de terno podem optar pelo colete de lã, peça que facilmente retirada.
Já o look mais informal contam com os tricôs, que podem ser usados com camisas por baixo. Ou ainda jaquetas e cardigãs colocadas por cima de camisetas ou blusas de manga comprida. “As jaquetas jeans ou de couro também funcionam bem”, acrescenta a consultora.
As calças de tecidos quentes, como o jeans, veludo ou tweed também são aconselhadas. Outra dica, diz Maria Fernanda, são as meias de lã, que podem ser combinadas com sapatênis, por exemplo.
Para os descolados, há a opção dos cachecóis, usados por cima de malhas e jaquetas, conferindo um toque a mais no visual “cebola”.