12 de maio participei de uma audiência pública com o deputado estadual Vicente Cândido. A audiência realizou-se na Câmara Municipal e contou com a presença de representantes da classe cultural bauruense e também de cidades da região, e tinha por finalidade a apreciação de projeto de lei que tramita no Legislativo Estadual, projeto este que visa a criação do Fundo Estadual de Arte e Cultura de São Paulo. Louvável iniciativa para um País que não se preocupa em manter suas raízes culturais.
Mas quero salientar aqui um ato falho por parte do nobre deputado: por duas vezes, em sua fala, ele citou a má educação prestada por nossas escolas públicas estaduais como empecilho às políticas de formação cultural, elegendo os professores como culpados. Usou ele como exemplo uma professora que não sabia o que vinha a ser um “manancialâ€. Isto não é justificativa para rotulá-la de burra, principalmente se levarmos em conta que há políticos que não sabem o que é um exame de próstata, como noticiado nos jornais dias atrás. Mais uma vez a culpa pelas mazelas da sociedade recaem sobre a educação. Por duas vezes o nobre deputado se disse preocupado com o tipo de educação que queremos para nossos filhos. Esqueceu-se ele que educação é função da família e é complementada na escola e na convivência social. Esqueceu-se também que havia mencionado que seu filho havia estudado nos EUA, coisa impossível para a esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros. O empobrecimento da classe trabalhadora mina suas possibilidades de uma vida cultural ativa, como, por exemplo, uma simples ida ao cinema com a família o que lhe custaria algo em torno de R$ 40,00, fora a pipoca e refrigerantes, mais o passe de ônibus.
A desconstrução do núcleo familiar é outro fato que interfere no comportamento dos jovens que acabam por assimilar os contrastes emocionais aos pais. Estes jovens carecem de atenção e carinho, carecem de mitos, heróis, de bons exemplos. Essas lacunas emocionais fazem com que os jovens busquem na escola a solução de seus problemas, cabendo aos professores a tarefa de instruir, educar, de substituir os pais, de agirem como psicólogos.
Tudo o que foi dito aqui soa como redundância, pois é um tema por várias vezes abordado neste jornal, mas acontece que algumas pessoas não perceberam ainda que elegeram o profissional errado para levar a culpa. A educação é sempre baluarte de campanhas eleitorais, mas passado o pleito o processo de desmantelamento da educação pública continua. Não será atacando os professores que alcançaremos alguma mudança positiva no sistema de ensino público. Ou a gente Rauni ou a gente Sting! (Professor José Reinaldo Furtado - RG 14.808.646)