“Não adianta só querer e achar que a cidade tem potencial se isso não for um consenso entre todas as forças que influenciam no processo, e o poder público, obviamente, tem um papel extremamente importante nisso.” Com essa afirmação, o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Coube, diz que o inerente potencial logístico de Bauru já não basta para atrair mais empresas e investimentos. A parceria entre iniciativa privada e governo municipal torna-se fundamental neste momento.
A afirmação foi feita ontem, durante evento na sede do Ciesp em comemoração ao Dia da Indústria, celebrado hoje. Durante o encontro, que reuniu empresários, imprensa, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, e o prefeito Tuga Angerami (PDT), Coube apresentou dados que integram um balanço do desempenho industrial nos últimos anos - até 2003.
Na opinião dele, o ideal é desenvolver um sentido de vocação para a região e unir forças econômicas e políticas para divulgar as inúmeras características positivas que trazem prosperidade a quem investe aqui. “Se essas forças se unirem e as parcerias se concretizarem, nós faremos da nossa região o que foi Campinas há 30 anos, quando a divulgação do seu potencial atraiu investimentos de todos os lados e transformou a cidade”, aponta Coube.
Questionado sobre as perspectivas do Ciesp, o prefeito Tuga Angerami diz que seu governo está totalmente aberto à formação de parcerias com a iniciativa privada. “Isso é importante não somente para o setor industrial, como para todo o município. Quanto mais investimentos a cidade atrair, mas isso se reverterá em recolhimento de impostos e outros benefícios, o que possibilitará à prefeitura investir mais em todos os setores.”
Para o diretor regional do Ciesp, se houver união entre prefeituras da região, indústria, comércio, setor de serviços e governo estadual, é possível transformar Bauru num grande centro de negócios e uma porta de entrada para todo o Interior paulista, norte do Paraná, sul de Minas, Mato Grosso e Goiás.
“Temos aqui um potencial que, se for entendido com todas as suas virtudes, nos possibilita reverter essa visão construída ao longo dos anos, de que Bauru é uma cidade que administrou problemas políticos, para ser uma cidade reconhecida como detentora de um grande potencial de investimentos e de uma capacidade logística talvez única no Brasil”, define o empresário.
Superação
Em relação às recentes e constantes altas da taxa básica de juros (Selic, no momento fixada em 19,75% ao ano), Coube ressalta que isso dificulta a realização de investimentos por parte do empresariado. A saída está em usar criatividade e estratégias que possibilitem driblar as dificuldades.
“Existe uma mobilização (regional) muito positiva atrelada a uma visão de investimentos nas empresas. É claro que isso ainda não deu frutos e deve começar a aparecer a partir do ano que vem em termos reais. Mas é impressionante a quantidade de empresas que estão encontrando formas de investir no seu negócio, seja na diversificação de linhas de produtos, seja no aprimoramento dessas linhas, ou na expansão de novos negócios atrelados aos atuais. Isso é fantástico”, revela.
De acordo com o diretor do Ciesp, tudo isso leva a crer que a pauta de exportações vai continuar crescendo, que a geração de empregos não cairá, entre outros fatores positivos. “Estamos criando condições para continuar crescendo nos próximos anos, e há um alto nível de confiança no setor”, acrescenta Coube.
Quanto a isso (crescimento), o economista Carlos Sette observa que, no momento, as exportações estão acima do desempenho do mercado interno em Bauru. Segundo dados do balanço apresentado ontem no Ciesp, entre 1999 e a projeção que se faz para o fechamento de 2005, o volume de exportações cresceu 900% entre as empresas locais.
“As empresas estão se desenvolvendo, melhorando a tecnologia e os produtos e qualificando mão-de-obra. O que lamentamos é que das 550 indústrias de Bauru, apenas 30 exportam. É pouco, mas isso tende a crescer dependendo da política econômica do governo. Já o crescimento do mercado interno está em ritmo lento, mas as perspectivas são de melhora porque isso está diretamente ligado ao cenário econômico nacional, que é favorável”, avalia Sette.
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Balanço
O documento “Dados econômicos do setor industrial” apresentado ontem, em Bauru, pela diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) revela em números o potencial do setor industrial da cidade. Entre eles, o número de vagas de trabalho sustentadas pelas 550 indústrias instaladas nos três Distritos Industriais.
Em arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a indústria também está na frente. Os dados mais recentes, do ano 2000, mostram os seguintes índices: 44,15% para a indústria, 29,25% no comércio varejista, 15,6% no comércio atacadista, 3,84% no setor de serviços, entre outros.
A principal atividade econômica industrial de Bauru é o setor mecânico (40%), seguido pelo metalúrgico, de materiais eletroeletrônicos e de alimentos (todos com 13%), gráfico (9%), têxtil (8%) e de produtos plásticos (4%).