Toda e qualquer pessoa acaba por adaptar-se ao seu modo de vida, por mais adverso e triste que seja. Portanto, cada um tem o seu universo pessoal e vive o seu dia-a-dia, contente ou descontente, conformado ou inconformado.
Um dos tantos escritores do mundo, dedicados à publicação de livros sobre auto-conhecimento e que distribuem, fartamente, suas “receitas para ser feliz”, denomina essa situação como “zona de conforto”. Analisemos, então, o universo pessoal ou a “zona de conforto” dos milhões de mendigos que vemos pela vida, perambulando nas ruas, vivendo de esmolas e, em sua maioria, confortando-se mesmo é na cachaça.
Cada um tem, é claro, a sua história e os motivos que o arrastaram para essa vida de miséria, mas uma coisa quase todos têm em comum: Já se adaptaram a essa situação de viver sem esperanças, sem expectativas, sem planos e sem dignidade. (Esse seria, então, o universo pessoal do submundo?... )
Agora pensemos em buscar soluções e métodos para tirar essas pessoas desse marasmo, dessa estagnação, desse desastre de nenhuma auto-estima ou mesmo dessa acomodação a esse tipo de vida.
Certamente não será a minha ou a sua esmola que resolverá o problema. Com certeza, não será com palavras, conselhos ou sermões que chegaremos a algum progresso. Como nada disso mudará o seu universo pessoal, inventemos, então, um personagem para melhor exemplificação e condução do pensamento. Criemos o “Coitado ” e enxerguemos nesse personagem, todos os mendigos do nosso País.
Coitado sempre sabe onde come. É ali, naquele bar... Se “sujar”, tem o os seus planos b, c, d e etc. Coitado sempre sabe onde dorme. É ali, naquele cantinho e, se “der zebra”, ativa os seus planos b ,c, d e etc.
E assim seguem pela vida, cantarolando ou xingando, comendo ou passando fome, os “Coitado”... E é sempre bom que lembremo-nos que são homens, mulheres, jovens, crianças, enfim – Seres Humanos!
Qual seria a solução a se buscar? Qual seria a medida a ser adotada, o caminho a ser seguido para fazer com que essas pessoas acordem e percebam que ainda existe esperança? Orações e poemas até ajudam, mas não bastam. A solução virá com projetos e programas sociais embasados em estudos sérios, em experiências, troca de idéias, planejamento, parcerias e destinação de recursos para esses programas. Medidas eficientes e coerentes. Lembremos, também do Terceiro Setor, da criatividade que temos e de incentivos e subsídios para tudo o que for bom; de uma política de descentralização, de modo que permita sua implantação uniforme e justa em todos os municípios, estados e que seja de abrangência nacional, independente do partidarismo.
E isso é plenamente possível e basta que se deixe de lado essa prática indecente de promessas, de esmolas e de programas tirados da cartola, a cada vez que o anterior demonstra a sua ineficácia.
É isso é o que que estamos vendo... Fazer política não é prometer mágicas, milagres e coisas impossíveis. Fazer política não é chegar ao Poder por chegar e depois causar tanta tristeza, trazer tanta decepção e ainda mais desesperança.
Fazer política não é enganar, esbanjar o dinheiro público e gastar fortunas e fortunas com propagandas enganosas de que se está fazendo isso ou aquilo e se governar apenas para os banqueiros, enquanto o Brasil bate o recorde em cobrança de impostos de nosso povo. Essa é a prática da anti-política. Um total e inaceitável desrespeito para com o dinheiro público, com os cidadãos brasileiros e nossa Instituição Democrática. Somos um povo corajoso, trabalhador, honesto, unido e sofrido... Já atravessamos os obscuros e terríveis anos da repressão militar e da Ditadura. Hoje exercendo o nosso direito democrático da livre expressão, manifestamos nosso descontentamento com a situação do nosso País, pois o brasileiro é teimoso, sim, mas não no erro.
Reconhecemos que não é fácil administrar um país como o nosso, de dimensões continentais e cheio de problemas graves, complexos, que exigem uma postura séria e consciente para a sua solução. Porém, acreditamos que nosso povo, agora ciente da responsabilidade do voto e das conseqüências de votar errado, saberá reconduzir nosso Brasil para a retomada aos trilhos da ordem e do progresso.
Poeta e escritor Carlos Abreu Carvalho - RG: 8.087.263 -3