Política

Câmara 'enxuta' aumenta demanda

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Com seis cadeiras a menos na atual legislatura, os 15 vereadores da Câmara Municipal de Bauru estão se desdobrando para continuar atendendo o mesmo número de pessoas que procurava o Poder Legislativo na época em que a Casa contava com 21 parlamentares.

O vereador João Parreira (PSDB), que está na Câmara desde 1983, calcula que o movimento no seu gabinete cresceu cerca de 20% neste ano. “Em função da diminuição de cadeiras, passei a atender mais pessoas e ouvir mais reclamações”, comenta.

A mesma constatação é feita pelo vereador Paulo Madureira (PP), que cumpre seu quarto mandato parlamentar. “Hoje, eu recebo pessoas que não costumavam me procurar anteriormente. Para atender a todas elas, meu gabinete fica aberto das 8h às 18h, inclusive no horário do almoço”, destaca.

Mesmo debutando na Casa, o parlamentar Marcelo Borges (PSDB) também notou a diferença. Ele apresentou projeto de resolução que pretende aumentar o número máximo de proposituras que cada vereador pode apresentar por sessão. A intenção do tucano é ampliar a quantidade permitida de quatro para seis.

A proposta será votada na sessão da próxima segunda-feira e inclui requerimentos, indicações, moções e projetos de resolução e de decreto legislativo. “Nós não estamos conseguindo atender a demanda por causa dessa limitação”, argumenta Borges.

O presidente da Câmara, vereador Toninho Garmes (PSDB), ilustra a preocupação do colega. “Eu já tenho requerimentos e indicações para apresentar durante as próximas três semanas”, relata.

Para Garmes, o Legislativo mais enxuto também provocou outra mudança. “Com menos vagas, o vereador passou a ter mais representatividade”, constata.

Apesar do aumento da demanda no atendimento, o vereador João Parreira vê vantagens obtidas com a redução de cadeiras no Legislativo. “As sessões estão fluindo melhor e o entendimento se tornou mais fácil. Também estamos verificando uma economia maior, já que são seis vereadores e 12 assessores a menos”, avalia.

Ele faz, porém, uma ressalva. “Não cabia ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fixar o número de cadeiras, porque há uma lei que estabelece a quantidade mínima e máxima de vereadores, deixando a definição a critério de cada município. O problema é que não houve bom-senso por parte de muitas câmaras municipais”, destaca.

Garmes aponta outra melhoria provocada pela redução. “A população e a própria Mesa Diretora da Casa podem acompanhar o trabalho do vereador mais de perto, o que é muito bom. Afinal, a coisa pública precisa ser escancarada”, observa.

Comentários

Comentários