Auto Mercado

Xô, 'peladonas'!

Marcelo Ferrazolli
| Tempo de leitura: 3 min

Antigamente, era comum entrar em oficinas mecânicas ou borracharias e encontrar as paredes “enfeitadas” com folhinhas ou pôsteres de mulheres nuas. Mas esse cenário, típico há alguns anos, agora é raro de ser encontrado. No lugar das “garotas da capa” ou dos calendários eróticos, entraram estampas de times, santos, fotos de carros e propagandas institucionais de marcas de autopeças e afins. Mas quais as razões dessa transformação visual responsável por colocar tal hábito para escanteio?

São várias, mas a principal delas é a crescente presença feminina nestes estabelecimentos, antes considerados territórios exclusivamente masculinos. “As mulheres vêm bastante aqui e representam de 30% a 40% do movimento. Tem dia que comparecem até em maior número que os homens”, ressalta Fernando César Guedes, um dos proprietários de uma oficina bauruense. “Realmente, não são poucas as mulheres que trazem os carros para consertar”, acrescenta o mecânico Ailton Vereato Ribeiro, dono de outra oficina local.

Para Guedes, o fato das folhinhas e pôsteres com motivos pornográficos terem sido “abandonados” é apenas um dos “mandamentos” do receituário seguido pelo mercado rumo à profissionalização e qualidade dos serviços. “É uma tendência que não é nova e só os mais desavisados acordaram para ela recentemente. As oficinas deixaram de ser masculinas para transformarem-se em locais mistos freqüentados por mulheres, que, cada vez mais, preocupam-se não só em cuidar de seus automóveis mas também os dos maridos”, enfatiza.

Ele destaca que manter tais adereços na parede só serve para denegrir a imagem da empresa e afastar clientes. “Isso passa a impressão de falta de profissionalismo e, principalmente, ausência de respeito com os fregueses. Você acha que uma mulher ficará à vontade vendo calendários ou pôsteres de mulheres nuas espalhados por uma firma? Jamais. Quem permaneceu com esse tipo de hábito certamente perdeu terreno e foi forçado a adaptar-se às mentalidades modernas de gerenciamento”, salienta Guedes.

Por isso, além de proibir a presença de pôsteres e folhinhas eróticas, Guedes também não permite outros acessórios. “Não deixo nada que possa ofender, como referências a times de futebol, pois neste caso posso agradar um cliente corintiano, mas desagradar vários palmei-renses”, frisa. Ele cobra, ainda, respeito e comportamento adequado de meus mecânicos no trato com o sexo feminino. “Aqui não tem essa de parar o serviço para ficar olhando as pernas ou as saias alheias. Você acha que um marido que percebe a esposa sendo olhada desta maneira iria permanecer como meu cliente? Nunca”, questiona.

Igual linha de raciocínio é seguida por Ribeiro, que modificou o visual de sua empresa já estabelecida no mercado há 16 anos. “No começo da oficina, a gente até mantinha pôsteres de mulheres nuas no vestiário dos mecânicos. Mas a mentalidade mudou e agora não há mais espaço para essas coisas. É preciso respeitar os clientes, principalmente as mulheres, diz.

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Aversão x Atração

“Pendurado na parede aqui, só pneu”. Assim o borracheiro bauruense Benedito Pereira dos Santos, o “Bene”, sintetiza o visual de seu estabelecimento, onde ele nunca ousou colocar folhinhas e pôsteres pornográficos. “Nunca gostei disso e acho que essas coisas não combinam com o ambiente de trabalho. Além disso, as mulheres freqüentam muito aqui e ter esses adereços vulgares seria um desrespeito”, considera “Bene”.

Mas há locais em que a “tradição” erótica resiste. É o caso de uma borracharia bauruense, cujo proprietário, que não terá o nome divulgado pelo AutoMercado & Cia para evitar constrangimentos, mantém folhinhas com mulheres exibindo as calcinhas em um “quartinho” não muito à vista.

Ele justifica que a existência dos adereços não atrapalha o movimento da empresa. “Ver mulheres peladas hoje em dia ficou tão comum que ninguém liga mais. Até mesmo as próprias clientes vêem e nunca reclamaram de nada”, finaliza.

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