Polícia

Getúlio sofre com violência e barulho

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Ocorrências policiais e barulho na quadra 14 da avenida Getúlio Vargas têm colocado moradores da região em estado de alerta. Anteontem à noite, uma casa e dois carros que estavam na garagem foram apedrejados por pessoas na quadra 12 da rua Aviador José de Barros Silva, nas proximidades da avenida.

As reclamações já chegaram às reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, que quer ampliar a área de proibição de estacionamento na avenida. Há pouco mais de um ano, a proibição vale para as quadras 9 a 13 da Getúlio Vargas.

O morador que foi vítima na noite de anteontem, Ruy Barbosa da Silva, afirma que o problema decorre da grande concentração de jovens no pátio de um posto de gasolina desativado na avenida. Atualmente, funciona apenas a loja de conveniência do estabelecimento.

Na noite de sábado, sua casa e dois carros que estavam na garagem foram apedrejados por pessoas que estavam sentadas na calçada. “Eu pedi para eles darem licença porque eu precisava sair com o carro. Mais tarde, meu filho pediu novamente porque ele estava saindo. Foi então que começou. Eles pegaram tijolos baianos da calçada e começaram a jogar”, conta o morador.

O resultado foram danos às paredes externas da casa e à lataria dos carros. Um deles, inclusive, teve os vidros quebrados. O morador acionou a polícia e pretende levar o caso à próxima reunião do Conseg. “Eu acho que se eles proibirem o estacionamento na quadra 14 da Getúlio já ajuda”, avalia Silva.

Medida

O secretário do Conseg Centro-Sul, Pellegrino Bacci, afirma que as reclamações sobre o local têm sido freqüentes nos últimos quatro meses. “Tem moradores que estão desesperados. O pessoal fica bebendo ali desde que o posto fechou e o pátio começou a ser usado por motoqueiros. Então, tem corrida de moto e música alta”, expõe Bacci.

Ele afirma que o proprietário do estabelecimento teria solicitado à prefeitura o alvará para funcionar como lanchonete. A assessoria de imprensa da prefeitura foi acionada pelo JC para informar se há irregularidades na documentação da loja de conveniência, mas não houve retorno. Os proprietários do estabelecimento também não foram localizados.

O secretário frisa que o conselho já solicitou à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) a ampliação da área de proibição de estacionamento na avenida Getúlio Vargas até a praça da Copaíba. Entretanto, a Emdurb ainda não se posicionou sobre o assunto. A equipe do JC tentou contato com a empresa ontem, mas não conseguiu localizar os responsáveis.

“Isso já ajudaria em parte. Mas a proibição solicitada é do lado ímpar, o lado da pista do aeroporto, que é onde junta muita moto. O problema é que, se proibir daquele lado, eles páram no posto, cuja área é muito grande”, explica Bacci.

Ocorrências

As estatísticas da Polícia Militar (PM) confirmam que, principalmente nos últimos meses, as quadras 14 e 15 da avenida Getúlio Vargas têm sido palco de diversas ocorrências policiais, conforme denunciam os moradores da região.

Somente este ano, foram nove casos registrados pela PM, entre eles desacato, resistência, perturbação de sossego, furto, infração de trânsito e lesão corporal. Todos eles ocorreram no final da noite ou durante a madrugada.

Nos últimos meses, a PM tem deslocado um carro especialmente para atuar nas quadras 14 e 15 da avenida, nos horários em que a situação é mais crítica. “Principalmente aos sábados, temos policiamento praticamente fixo na quadra 15. No domingo à tarde, às vezes também. Temos feito um trabalho direcionado”, afirma o tenente João da Costa Duarte, comandante da Base Sul da PM.

Ele destaca que a demanda de ocorrências no local prejudica o atendimento em outras regiões da cidade. “Como temos que deixar uma viatura na quadra 15 da Getúlio, o atendimento à população em outros locais fica prejudicado”, diz Duarte.

O sargento Élcio Luís Castro, da Base Sul da PM e responsável pelo setor, acredita que o acúmulo de jovens no local deve-se ao fato da loja de conveniência do posto desativado vender bebidas alcoólicas e disponibilizar o uso gratuito de banheiros.

“Às vezes as pessoas nem estão consumindo no posto. Mas é claro que ele contribui muito para as ocorrências porque distribui bebida alcoólica”, avalia.

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