Polícia

Pai é morto na presença dos filhos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Três irmãos - com idades entre 2 e 5 anos - estavam em casa quando o pai Wagner Luís Bibiano foi morto com nove tiros, anteontem à noite, no Núcleo Habitacional Leão 13. Um deles, com 3 anos, foi quem avisou a mãe Roseli Aparecida Teodoro sobre o homicídio, que eleva para 18 o total de pessoas que perderam a vida em circunstâncias violentas na cidade, neste ano.

Ela soube da ocorrência ao voltar do trabalho, por volta das 2h30 da madrugada de ontem. Para a polícia, Roseli informou que, antes de receber a notícia pela filha do meio, no portão da residência, o mais novo dos três já havia saído para a área externa do imóvel com o rosto coberto de sangue. Informações extra-oficiais dão conta de que o garoto teria dormido sobre o corpo do pai, de 43 anos, encontrado no banheiro.

Foragido desde agosto do ano passado da Penitenciária 1 de Bauru, a vítima passava o dia em casa cuidando dos filhos, enquanto a mulher - com quem vivia maritalmente há nove anos – trabalhava, confirma Roseli em declaração à polícia. Bibiano cumpriu cerca de 14 anos de pena por ter praticado um homicídio em São Paulo. Talvez por ser procurado pela Justiça, ele era pouco visto pela vizinhança, que prestou auxílio a Roseli, quando, descontrolada, passou a gritar em frente de casa.

Ela não adentrou à residência porque o portão estava trancado com cadeado. Conforme relatou à polícia, todas as noites ao retornar do trabalho, chamava o marido para abrir o portão. Desta vez, quando chegou, notou que a porta da frente estava arrombada. Chamou o marido, mas não obteve resposta. Na seqüência, saíram dois dos três filhos do casal.

Como o mais velho não estava entre eles, Roseli disse à polícia ter temido que a criança também tivesse sido morta. Com uma escada emprestada por vizinhos, ela pulou o portão e tirou as duas crianças da área externa da casa. Ainda de acordo com o relato da genitora, como não entrou na casa, ela só recebeu notícias do terceiro filho por meio da Polícia Militar. Os policiais, acionados por vizinhos, constataram que o menino de 5 anos estava bem, dormindo no quarto.

Disparos

Os policiais confirmaram ainda a morte de Wagner, atingido por quatro disparos na cabeça, três no tórax e dois no braço, segundo o Instituto Médico Legal (IML). De acordo com o órgão, a vítima morreu em decorrência do traumatismo craniano. Durante o exame de necropsia, foram extraídos cinco projéteis, que serão submetidos a exame de balística. Por meio deles, será possível identificar de qual arma partiram.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), responsável por apurar crimes de autoria desconhecida. De acordo com o titular da delegacia, J.J. Cardia, testemunhas serão ouvidas. Ele também pedirá levantamento das pessoas que saíram do presídio neste final da semana.

A medida foi provocada por Roseli. Ela afirmou que há dois anos uma mulher comentou que o marido dela tinha uma “bronca” para cobrar de Wagner e que pretendia matá-lo. Além de não saber a identidade da senhora, Roseli diz não ter como confirmar se a ocorrência tem qualquer relação com a ameaça. Afirma ainda desconhecer qualquer desafeto do companheiro.

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