Reguladas por uma legislação específica, as cooperativas têm carência de profissionais especializados no setor, como contadores, economistas, advogados e gestores, especialmente no Interior do Estado. A informação é do consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), Benedito Roberto Zurita, e da diretora-presidente da cooperativa Coonecta Comunicação, Kátia Sampaio.
“Toda a legislação e o plano de contas das cooperativas são diferenciados, por isso, necessitamos de profissionais especializados em cooperativismo”, diz Kátia.
Chamar a atenção dos profissionais liberais e formandos sobre o potencial desse mercado é um dos objetivos do ciclo de conferências sobre cooperativismo, que está sendo realizado pela Coonecta. A primeira conferência, que discutiu os conceitos e filosofia do cooperativismo e associativismo, foi realizado em Bauru nesta semana.
Kátia afirma que muitas cooperativas no Estado têm experimentado expansão e apresentado potencial para geração de trabalho e renda. “Em muitos casos, há cooperativas que podem terceirizar serviços, contratar em regime de CLT, mas não encontram profissionais para isso. Ou seja, nós podemos contratar, queremos contratar, mas não temos profissionais”, diz.
Zurita destaca, entretanto, que algumas universidades já atentaram para essa demanda e têm oferecido cursos de aperfeiçoamento e especialização de profissionais nesse ramo de negócios.
“Há universidades, por exemplo, que trazem ao administrador de empresa uma formação na área do cooperativismo. Está havendo demanda no mercado para esse tipo de profissional”, completa.
A cooperativa é uma sociedade com forma e natureza jurídica próprias, constituída para prestar serviços a seus associados, que ao mesmo tempo administram e utilizam os serviços prestados por ela. Para a sua constituição são necessárias, no mínimo, 20 pessoas físicas - sendo este um dos aspectos que a diferencia da empresa mercantil. No Brasil, segundo dados da Coonecta, existem cerca de 5 mil cooperativas com 5,5 milhões de associados. No Estado de São Paulo, são 1,1 mil cooperativas, com destaque nos ramos educacional, habitacional, de produção e trabalho.
“Muitos grupos começaram a buscar o cooperativismo como uma forma de sobrevivência, de trabalho e renda. Isso surgiu e vem experimentando um crescente aumento”, avalia Zurita.
A segunda conferência sobre cooperativismo e associativismo abordará o tema “Tributos, Legislação e Registro” e será realizada no próximo dia 9, às 20h, no Sebrae. A palestra terá como palestrante Guilherme Santos e Campos, do Sebrae-Bauru.
• Serviço
A conferência será realizada no auditório da Acib. Rua Bandeirantes, 8-78, Centro.