A adesão à greve nacional dos servidores federais, iniciada na última quinta-feira e que, desde então, comprometeu o atendimento nas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), pode aumentar hoje. Os funcionários prometem suspender as atividades por tempo indeterminado em protesto contra a proposta de reajuste salarial feita pelo governo, que prevê 0,1% de aumento. Com a ameaça de paralisação geral, cerca de 500 pessoas que procuram diariamente o serviço em Bauru podem ficar sem atendimento.
Em reportagem publicada na última sexta-feira no JC, o diretor do sindicato da categoria (Sinsprev-SP) José Aparecido Antunes garantiu que, hoje, a adesão será de 100% dos funcionários, com greve nas seis agências da região de Bauru. Por isso, o Sinsprev-SP orientou, em matéria divulgada ontem no JC, que os usuários evitem comparecer nos postos a partir de hoje. “A paralisação do atendimento por tempo indeterminado é inevitável”, garantiu Antunes.
O gerente-executivo do INSS, Josué Lopes Moreira, explicou que, em caso de greve, o prejuízo ao atendimento dos segurados dependerá do número de funcionários disponíveis para trabalhar hoje. Ele ressalta que, se 60% paralisarem as atividades, será impossível manter o funcionamento do posto, que trabalharia apenas para atender demandas judiciais, mandados de segurança, citação, intimações, revisões e implantações de benefício.
Desde a última quinta-feira, cerca de 40% dos funcionários diretamente ligados ao atendimento à população na unidade bauruense do INSS, localizada na rua Azarias Leite, aderiram à paralisação. Dos 57 funcionários do posto, 11 pararam, sendo um do serviço de receita previdenciária e dez do setor de concessão de benefícios, considerado fundamental para manter o atendimento.
O Sinsprev-SP realizou assembléias com os funcionários públicos orientando pela greve da categoria. Antunes diz que as negociações não avançaram diante da proposta do governo, feita no mês passado, de excluir os aposentados do reajuste. Somente filiados ao Sinsprev são de 6 mil a 8 mil servidores aposentados. O sindicato calcula ter 17 mil filiados e a categoria reivindica reposição salarial emergencial de 18% - correspondente às perdas acumuladas no governo Lula - e recomposição das perdas salariais a partir de 1995.
Além disso, a categoria também quer incorporação de gratificações, paridade entre ativos e aposentados, Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) e insiste na necessidade de concurso público para a contratação de 18 mil servidores, número que o Sinsprev entende necessário para melhorar o atendimento.
O sindicato avalia que a perda salarial dos funcionários federais, de 1994 a 2004, está em 160%. Só no governo Lula seriam 18%. De acordo com dados do Sinsprev, o salário-base de um técnico previdenciário é de R$ 230,00, enquanto o de analista previdenciário é de R$ 620,00. Os funcionários mais antigos, como agente administrativo, recebem R$ 450,00 de salário-base. Esses valores são complementados com gratificações.