Ponto de encontro dos aposentados do bairro, a praça Alonir César Alves Negrão, no Núcleo Presidente Geisel, estava com um visual “tenebroso”. Mato alto, lixo e aspecto de abandono deixavam o local sujo e repleto de insetos. Cansados de esperar a iniciativa pública, dez senhores que costumam freqüentar a área fizeram um mutirão e promoveram uma grande limpeza, com direito até a pintura.
De acordo com o aposentado José Salvador de Paula, que comandou a limpeza, não adianta ficar apenas reclamando e esperando a administração municipal tomar providências. “Nós cansamos de pedir para eles (prefeitura) acabarem com esse mato, mas não fomos atendidos. Resolvemos arregaçar as mangas e fazer o trabalho nós mesmos”, destaca.
Foram dois dias e meio de serviço. Além de carpir e juntar o mato na beirada da calçada, eles compraram tinta e pintaram os bancos de concreto, as muretas, as árvores e até parte da unidade de saúde que fica na praça. “Se a prefeitura der a tinta, a gente pinta todo o posto de saúde”, frisa o aposentado.
A iniciativa foi vista com bons olhos pelos comerciantes do bairro. Proprietária de uma loja localizada em frente à praça, Rita de Cássia Salgado, destaca que esta foi uma atitude muito positiva e importante dos aposentados. “(A praça) estava tenebrosa, muito feia mesmo. Eles estão de parabéns pelo trabalho”, diz.
A dentista Luciane Fogolin, que possui um consultório nas imediações, concorda. “Ficou bem melhor agora”, frisa.
Para comemorar o resultado, o grupo arrecadou dinheiro entre seus integrantes e dos comerciantes do local e fizeram um churrasco sábado à tarde na praça. “Depois do churrasco, eles limparam tudo. Até dez horas da noite tinha gente aqui varrendo”, conta Salgado.
Agora eles estão aguardando a prefeitura enviar um caminhão para recolher a sujeira retirada da praça. “Já ligamos na (Administração) Regional, mas não apareceram até agora. Estamos com medo de colocarem fogo nesse mato que restou”, destaca Paula.
Parceria
Diante do fato de requisitar e nunca ser atendido, tem muita gente investindo seus próprios recursos para melhorar o local onde vive. É o caso dos moradores do Jardim Colonial. O bairro, localizado em frente ao Câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) tem recebido pouca atenção da administração municipal. Terrenos com mato alto, falta de calçadas e asfalto esburacado são alguns fatores que deixam as pessoas que moram no local revoltadas.
Para tentar amenizar o problema, a população tem contribuído para melhorar pelo menos em frente da sua residência. Na avenida Osvaldo Alvarenga Tavano, por exemplo, há um canteiro central com muito mato e nenhum projeto paisagístico.
Algumas pessoas, no entanto, adotaram essa área para cuidar. A dona de casa Margarida Salvaterra Ferreira, por exemplo, plantou várias espécies no trecho do canteiro que fica em frente à sua casa. “Meu marido cuida do local quando chega do trabalho. Foi ele quem carpiu e colocou as plantas”, ressalta.
O problema, segundo ela, é que a vegetação precisa de adubo para crescer e eles não podem ficar gastando com isso. “Procuramos a prefeitura e pedimos para que eles nos fornecessem o material, mas não obtivemos resposta”, diz, magoada.
Com isso, muitas plantas estão morrendo ou sendo arrancadas pelas pessoas que passam pelo local. “É uma judiação. Tem gente que passa aqui e arranca”, conta Margarida.
Outro morador, que não foi localizado pela reportagem para comentar sobre o assunto, também limpou e decorou a parte do canteiro localizada em frente à sua casa. Além disso, plantou grama, colocou seixos e até um banco de concreto. Um sistema de irrigação, que sai da sua casa, mantém a grama sempre verde no local.
No Jardim Guadalajara, o engenheiro mecânico Fernando Azevedo Dario também decidiu acabar com o excesso de mato e animais peçonhentos que circulavam próximo à sua casa.
Ele pediu uma máquina emprestada para um amigo e limpou uma faixa da calçada que estava invadida pelo mato. “Nas esquinas das ruas do bairro, há pequenas áreas verdes, parece uma pracinha, mas não têm bancos. Elas estão abandonadas pela prefeitura e só servem para juntar mato e bichos”, destaca.
Segundo o morador, há muitos anos a administração municipal não promove limpeza nessas localidadades. “Eu tenho filhas pequenas, que passam sempre por esses locais, e tinha medo que elas fossem atacadas por alguma aranha ou coisa do gênero”, salienta.
Dario conta que levou um dia todo para limpar o espaço próximo à sua casa. Mas, segundo ele, o ideal é que todos fizessem o mesmo, já que só um trecho ficou limpo. “Não dá para ficar esperando o poder público tomar a iniciativa. Tem que fazer alguma coisa para melhorar o lugar onde a gente vive”, ressalta.