Tribuna do Leitor

Superando os franceses


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Embora desconheça o índice de participação bauruense e regional na última e estrondosa “Parada do Orgulho GLBT” (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros), constata-se que, “per capita”, os brasileiros, após o advento do Estado de Direito, lançaram-se e desmunhecaram-se, desmesuradamente, nos prazeres do universo do sexo e, batendo recordes, revelaram suas verdadeiras identidades sexuais.

Para mim, cidadão sem tabus, não há nada de novo, uma vez que, desde criança e jovem, principalmente, sempre freqüentei todos os horizontes sociais e particularmente os mais discriminados por nossa trógta sociedade: prostitutas, bichas, travestis, GLBT, negros, pobres, principalmente, aprendendo a respeitá-los e a amá-los.

Mas se algo reteve toda minha atenção nesta manifestação de força dos ativistas sexuais é que, com relação à questão atualíssima da discriminação, não é menos antigo um célebre e jocoso ditado brasileiro, afirmando que “na França tem muito gay”.

Da mesma forma que por aqui fala-se também que “francês não toma banho”. É tempo de dar um basta nestes (pre) conceitos irreais que não deixam de se revestir de ignorância total, mas, e, especialmente de maldade, preconceito e racismo.

Embora, seja real que, por causa dos nossos infames “apagões”, fomos nós quem mantivemos nossas torneiras fechadas e fomos seguramente privados de tomar necessários, gostosos e saudáveis banhos. Enquanto que lá eles sempre tomaram, inclusive regado a “bain moussant” e perfurmando-se com os melhores aromas do mundo.

E, não querendo aqui abordar a questão racista ou o racismo propriamente dito, vez que o tema, apesar de infindo e estéril, já foi suficientemente tratado aqui na Tribuna, eu só gostaria de me permitir a dizer que todo ser humano, seja branco, preto, cor-de-rosa, de onde quer que ele venha, é racista por natureza.

À propósito, justamente, na França - para não citar outros paízes europeus - estatísticas oficiais confirmam que 60% dos franceses são racistas. Todavia, não se trata do racismo da cor e o econômico, que cultivamos aqui, mas aquele contra todo estrangeiro, pouco importando seu país de origem.

Cabe à cada um de nós expelirmos estes nefastos instintos humanos aos quais se acrescenta um outro tão ruim que é a inveja, cujos expoentes máximos são as intolerâncias, as conspirações, as violências e as guerras.

Moral: como o mundo dá voltas. Hoje quem deve estar rindo de nós são, justamente, os franceses e o mundo. E, desta feita, não por discriminação, mas com números.

E, já que falamos, “pourqoi pas” nós brasileiros, a exemplo dos “meninos” de Rondônia e de Florianópolis, não levantamos "nossos traseiros” e vamos às ruas, não pelos miseráveis “trezentões” do Lula, mas sim pelos três mil do Chirac aos quais se acrescem universitários, médicos, remédios, dentistas, domésticas. Tudo de graça? Quando chegaremos lá? Numa outra vida “peut-être”?

Portanto, precavenham-se os brasileiros machistas e desavisados no sentido de, nas noites iluminadíssimas de Paris - ou alhures -, onde gravitam grande número de vagalumes, digo travestis, serem confundidos como sendo “orgulhosos” compatriotas. Minha solidariedade aos negros, GLBT, bancários e classe trabalhadora oprimida. Respeito e Dignidade.

Oswaldo Penna Júnior - professor

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