Tribuna do Leitor

Ainda o quinto aniversário do Teatro Municipal


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Após a leitura da matéria publicada no JC em 24 de abril e cartas publicadas no mesmo jornal, na Tribuna do Leitor pelo senhor Munir Zalaf, em 26 de abril e pela senhora Rosa Maria Busch Amaro Silva, em 28 de abril, resolvi manifestar-me, inicialmente, parabenizando o jornal pela homenagem ao Teatro Municipal em seu 5.º aniversário e aos missivistas pela busca do registro histórico desta importante realização que é o Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, como um todo.

Conhecendo a índole do poeta Munir Zalaf e sua postura apolítica, tenho certeza de que a sua manifestação foi apenas para o registro dos fatos que acompanhou, assim como a senhora Rosa Maria Busch Amaro Silva, na primeira parte de sua carta, quando lembrou que o prédio do antigo Mercado Municipal foi construído no governo Nuno de Assis e que abrigava, inicialmente, açougues, peixarias e bancas de verduras, tendo, posteriormente, sediado em seu andar superior as ligas do futebol varzeano de Bauru, bem como sido utilizado como alojamento para atletas.

Correto também o registro do nome da professora Ana Guedes que integrou a equipe do Secretário de Cultura do governo Tidei de Lima, o professor Geraldo Bérgamo (sempre lembrado com muito carinho por funcionários, artistas e outros envolvidos com a cultura bauruense) e que foi a responsável pela participação do artista plástico argentino, Echeverria, no desencadeamento do projeto do Centro Cultural.

Ao final da gestão Tidei de Lima, o prédio foi inaugurado inacabado, com a Galeria “Angelina Messenberg” concluída (belíssimo espaço), a Secretaria de Cultura instalada precariamente e sem os equipamentos básicos de uso diário e o Departamento de Ensino às Artes que iniciou suas atividades no piso superior, nas mesmas condições.

Também não discordo da afirmação da senhora Rosa Maria de que a obra estava “pronta”, mas em sua estrutura básica. No Teatro, por exemplo, não era apenas “colocar as poltronas, a cortina e iniciar o espetáculo”. Os processos licitatórios (mais de 30) estavam emperrados e não permitiam a retomada da obra, eram empresas de Bauru, Piracicaba, São Paulo, São José do Rio Preto, Campinas, etc, que tiveram de ser contactadas e cujos contratos tiveram que ser renegociados, retomados ou cancelados.

Algumas delas já haviam instaurado processos judiciais contra a Prefeitura, outras haviam falido ou encerrado as atividades e outras não tinham interesse em retomar a obra. Quem conhece alguma coisa de administração pública, sabe a batalha que tudo isso representou. Apenas a título de informação, senhora Rosa Maria, as poltronas, a cortina, o ar condicionado, os equipamentos de primeira geração de som e iluminação e outros “acabamentos”, como a senhora cita “como já definidos”, precisavam ser “pagos” para serem instalados, bem como restavam outras pendências financeiras a serem negociadas, até mesmo com os arquitetos.

Quanto à Biblioteca Central “Rodrigues de Abreu”, a senhora está equivocada. Quero que fique registrado que a mesma continuou “perambulando por barracões e garagens” como a senhora afirmou, pagando aluguel, até 31/08/99, muito tempo depois do encerramento do governo Tidei de Lima, quando conseguimos concluir o seu espaço dentro do Centro Cultural e equipá-la minimamente para a transferência e inauguração no primeiro mandato do ex-prefeito Nilson Costa, em minha gestão como secretária municipal de Cultura e que depois foi informatizada na gestão de Sérgio Losnak.

Porém, nisto tudo, o que importa é a força de vontade de muitos bauruenses, natos ou de coração, que uniram forças, iniciaram e concluíram este marco da cultura bauruense, que é o Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, tão bem nomeado porque mantém viva a memória da grande dama do teatro bauruense.

Que não se minimize os esforços feitos e que se reconheça as participações de todos, sem querelas políticas, porque além das pessoas já nominalmente citadas nas cartas publicadas, não podem ser esquecidos os integrantes das secretarias municipais de Cultura, Finanças, Negócios Jurídicos e Obras dos governos Tidei de Lima e Nilson Costa, que tanto se dedicaram, bem como muitos cidadãos bauruenses e inúmeras empresas que doaram bens e serviços, o que permitiu o aproveitamento total do Centro Cultural, com a inauguração do Teatro em 26/04/2000, em tempo para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, com direito à contagem regressiva do JC.

Josefina de Campos Fraga - RG 4.768.280

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