Luís Francisco da Silva Carvalho Filho, estudante paulista e hoje renomado jurista, foi passar o Carnaval de 1976 em Salvador. O pai, o bauruense Luís Francisco da Silva Carvalho, ex-deputado federal, ex-secretário da Justiça de São Paulo e desembargador aposentado, tinha sido colega na Câmara Federal do governador Antonio Carlos Magalhães e mandou-lhe um cartão pelo filho.
- Olha, meu filho, você leva esse cartão. O Antonio Carlos não é mais governador, mas mora na Bahia, foi meu colega em Brasília e é meu amigo. Se você tiver algum problema lá, o dinheiro acabar, procure-o, entregue-lhe este cartão, que ele é um bom sujeito e quebra seu galho.
O filho pôs o cartão no fundo da mala e tocou para Salvador. O Carnaval, aquela oitava maravilha do mundo. E o dinheiro deu. Não procurou Antonio Carlos, ficou mais uma semana por lá, voltou e devolveu o cartão ao pai:
- Não precisou. E, além disso, acho que o senhor cometeu uma gafe enorme e quase me mete nela. O seu amigo Antonio Carlos já morreu e o senhor não ficou sabendo.
- Morreu coisa nenhuma. Você acha que o ex-governador da Bahia ia morrer e eu não iria ficar sabendo.
- Pois mande apurar porque ele morreu. Eu vi lá. A cidade está toda cheia de homenagens a ele. É avenida Antonio Carlos Magalhães, Praça Antonio Carlos Magalhães, rua Antonio Carlos Magalhães. Esses nomes não são dados a gente que morre?”...
Publicada em Folclore Político de Sebastião Nery e encaminhada por Antonio Pedroso Júnior