Esportes

Partida do Noroeste mobiliza a cidade

Rodrigo Allegro
| Tempo de leitura: 3 min

O clima nas imediações do Estádio Alfredo de Castilho durante toda a tarde de ontem, antes do confronto decisivo contra o Mirassol, era de empolgação, confiança na vitória e, principalmente, na conquista do acesso à Primeira Divisão do Campeonato Paulista da Série A1, em 2006.

Até às 14h, dos 15 mil ingressos disponíveis, aproximadamente 8 mil já haviam sido vendidos e segundo estimativas da polícia militar 12 mil torcedores estiveram presentes.

A procura por ingressos foi intensa durante o dia todo, já que a maioria dos torcedores estavam em horário de trabalho e acabou comprando o ingresso no final da tarde. Desde o torcedor mais fanático, até o craque do Norusca Luciano Bebê, que cumpria suspensão automática, buscavam o melhor lugar para assistir ao jogo.

Luciano Bebê assistiu à partida acompanhado da esposa e do filho de apenas nove meses na tribuna do estádio. “Eu queria estar lá dentro, ajudando o Noroeste e meus companheiros, mas infelizmente eu terei que cumprir suspensão automática”, disse o craque noroestino.

Um caso de total dedicação e paixão pelo Alvirrubro era o torcedor bauruense Eliseu de Almeida, de 44 anos, com mais de 20 dedicados ao Norusca. Após ser transferido por motivo de trabalho, em 2004, para Mirassol, cidade do time rival do Norusca, Eliseu pediu ao seu patrão para viajar e assistir à partida do time do coração.

“Eu consultei o meu chefe, achando que a resposta seria negativa, mas ele é torcedor do América, de São José do Rio Preto, um dos rivais do Mirassol e não teve dúvidas em me liberar”, conta o torcedor, que ainda afirmou que pretendia ficar até domingo, para acompanhar o jogo contra o Bandeirante, de Birigui.

Os ambulantes, que nesses dias de jogos de grande porte buscam uma forma alternativa de ganhar um dinheiro extra, se mobilizavam para montar barracas, churrasqueiras, com o tradicional espetinho, para poderem atender a massa noroestina que chegava de todas às partes da cidade.

“Eu trabalho na prefeitura, mas o meu marido está desempregado e eu tenho que ganhar pelos dois”, revelava Maria Gomes, que apesar da esperança de vender os mais de 400 refrigerantes do seu estoque, ficou sabendo em cima da hora, que às vendas não poderiam ser feitas na porta do estádio e sim numa área de 200 metros de distância da porta do Alfredão.

Consultado pela reportagem do JC, o tenente Valentim, que comandou uma operação desde às 17h, nas imediações do campo, com cerca de 40 policiais, revelou que a presença dos ambulantes próximos dos estádios é proibido por lei.

“Nós seguimos as leis e vamos cumprir até o fim. Com organização e disciplina tudo transcorrerá normalmente”, concluiu o tenente.

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Dono de tradicional barraca vende e torce em família

Um dos principais points dentro do Estádio Alfredo de Castilho, a barraca de lanches ‘Au Au’, do apaixonado noroestino Reinaldo Costa, que há mais de 20 anos vende os saborosos lanches, esperava com ansiedade o início do jogo decisivo.

O vendedor-torcedor, como ele mesmo se auto define, chega a vender mais de 500 lanches e espetinhos antes, durante e após os jogos de maior apelo e revela uma curiosidade.

“Nós dias de jogos à noite, a procura é muito maior do que no período diurno”, conta o vendedor, que ontem vivia um clima de alegria e satisfação.

“Além de ganhar um dinheiro, eu, como noroestino, torço e vibro com os gritos de gol em família”, diz Reinaldo, que conta com a ajuda das filhas e genros.

“Todos trabalham e torcem juntos em prol do Noroeste”, conclui Reinaldo Costa, que espera ancioso pela volta do Norusca à Série A1. “O ano que vem o Noroeste estará na Primeira Divisão, podem apostar.”

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