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Comboio pode navegar com mais carga

Por Michelle Roxo | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento Hidroviário da Secretaria de Estado de Transportes autorizou a navegação de comboios com calado (profundidade da embarcação) de até três metros na hidrovia Tietê-Paraná, que corta a região. A decisão vigora desde o final do mês passado e atende a reivindicação de usuários da via, que poderão operar as barcaças com maior capacidade de carga.

“É uma medida há muito tempo esperada, e de grande interesse dos usuários da hidrovia, pois reduzirá o custo da tonelada transportada. Enquanto as águas ajudarem, aproveitaremos ao máximo as condições favoráveis nos reservatórios”, afirmou o diretor do DH, Oswaldo Rossetto.

De acordo com Luiz Fernando Siqueira, vice-presidente do Sindicato dos Armadores de São Paulo (Sindasp), com a autorização, a capacidade de transporte de carga nos comboios aumentará de 10% a 15%. “As empresas poderão melhorar sua produtividade”, observa Siqueira.

O objetivo da medida, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Transportes, é otimizar o uso dos trechos já existentes na hidrovia, eliminando restrições e facilitando o escoamento das safras agrícolas para exportação. A hidrovia é utilizada para o transporte de produtos variados, como a soja, milho, trigo, mandioca, carvão adubo, areia e cascalho. Em 2004, conforme noticiou o JC, o volume de transporte foi de cerca de 3 milhões de toneladas. São cerca de 1.250 quilômetros de trechos navegáveis, sendo 450 no rio Tietê e 800 no rio Paraná. São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná são os Estados atendidos.

A navegação com o calado de três metros está sendo realizada em caráter experimental. De acordo com o comandante Carlos Alberto de Sã e Souza, da Capitania Fluvial Tietê-Paraná, ainda há pontos críticos de navegação na hidrovia. “Enquanto não são concluídas todas as obras necessárias, sobretudo em Promissão e Nova Avanhandava, onde o canal tem problemas de profundidade, a medida será temporária”, diz o comandante.

Segundo a secretaria, a autorização para circulação de barcaças mais pesadas exigirá esforços adicionais das autoridades envolvidas (Departamento Hidroviário, Marinha, Cesp e AES Tietê), para monitorar o sistema permanentemente, acompanhando o nível dos reservatórios em seus pontos críticos, e a movimentação e posicionamento dos comboios em tempo real.

Aumento da capacidade

No passado, a hidrovia Tietê-Paraná era utilizada por comboios com no máximo duas barcaças (chatas). Atualmente, o comboio é constituído por quatro barcaças, mas já existe estudo no comitê técnico para aprovação de seis chatas.

“Nós já fizemos o teste e estamos apenas aguardando uma conclusão do estudo final do DH para implementar o comboio com seis barcaças”, diz o comandante da Capitania Fluvial Tietê-Paraná.

De acordo com o vice presidente do Sindasp, é preciso ainda solucionar as restrições relacionadas à necessidade de desmembramento dos comboios na passagem por pontes e eclusas.

“O comboio é formado por quatro barcaças. As dimensões das eclusas comportam duas barcaças. Então é preciso desmembrá-las. Na passagem de ponte, é a mesma coisa”, observa.

O comandante da Capitania Fluvial Tietê-Paraná lembra que a hidrovia possui grande potencial de transporte, ainda não explorado. “Hoje nós temos uma perspectiva de poder transportar na hidrovia 20 milhões de toneladas”, diz.

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