O período de safra da cana-de-açúcar, que está gerando uma grande oferta de álcool no mercado, e uma nova etapa da guerra de mercado entre as companhias distribuidoras de combustíveis estão derrubando os preços do álcool e da gasolina em Bauru. Os motivos da queda são apontados por donos de postos ouvidos pela reportagem. Atualmente, o preço por litro chega a R$ 1,96 na gasolina e R$ 0,86 no álcool.
No mês passado, o álcool não era encontrado a menos de R$ 1,00 e o litro da gasolina comum girava em torno de R$ 2,20, com algumas variações principalmente para cima, chegando a R$ 2,29. Contudo, a derrubada dos preços não está aumentando os lucros dos empresários do ramo de venda de combustíveis, segundo afirmam à reportagem. O período de safra da cana reflete no preço da gasolina porque ela tem 25% de álcool em sua composição.
“Como todos os postos começaram a baixar os preços para não perder o movimento, os clientes não têm a preocupação de ser fiel a um determinado posto. Eles ficam de olho no preço, e como em todo lugar está barato, abastecem onde for mais fácil”, reclama Natal Arnosti Júnior, dono de posto.
Segundo ele e outros dois empresários do setor - Edvaldo Tuschi e Waldis Bonatelli Júnior -, o período de safra “coincidiu” com o início de uma estratégia agressiva de preços adotada por uma distribuidora de combustíveis, mas eles não citam o nome.
“Para não perder mercado, as outras companhias começaram a baixar os preços também. Elas estão descendo tudo o que podem nos preços de custo para que a gente possa vender mais barato na bomba. Com isso, meu movimento não aumenta muito, mas pelo menos eu não perco cliente. A briga (entre as distribuidoras) é de leão”, comenta Arnosti.
A reportagem tentou entrar em contato com duas companhias distribuidoras de combustíveis, mas não obteve retorno aos recados deixados.
Pesquisa
Edson Macorin, que estava anteontem abastecendo o tanque de seu veículo num posto que vende gasolina a R$ 1,99 - tanto a comum quanto a aditivada -, diz que viaja bastante e não tem visto preços tão baixos em outras cidades. Mesmo com a queda generalizada em Bauru, ele diz que ainda está valendo a pena pesquisar, já que ainda há uma pequena diferença de preços entre os estabelecimentos.
“É impressionante, mas tem postos que fazem preço diferente para o pagamento à vista ou no cartão de crédito. Eu estou achando muito bom esse período, porque nunca se sabe quando os combustíveis vão subir de novo”, observa.
De acordo com Edvaldo Tuschi, que trabalha com postos de várias bandeiras, as distribuidoras diminuíram acentuadamente o preço de custo para vender aos postos. Segundo ele, a Petrobras está vendendo o litro da gasolina comum a R$ 1,91; a Texaco a R$ 1,89; a Ipiranga a R$ 1,87; Shell a R$ 1,90 e a Esso a R$ 1,88.
Nos postos dele, o valor da gasolina varia de R$ 1,99 a R$ 2,09, e o do álcool de R$ 0,89 a R$ 1,09. “A oferta de álcool está muito grande, mas não dá para saber até quando essa situação vai durar por causa da disputa de mercado entre as distribuidoras. A nossa (dos donos de postos) situação está muito complicada, porque a margem de lucro está baixa”, observa.
O empresário Bonatelli Júnior diz que o ideal era ter margem de lucro em torno de R$ 0,30 na venda por litro de combustível. Mas no momento, segundo ele, está girando em torno de R$ 0,11.
“Os preços caem mas a gente continua tendo os mesmos gastos com a manutenção do posto e com os funcionários. O problema é que não é mais o álcool que manda, é o mercado. Então, a gente não tem como avaliar até quando os preços baixos vão continuar para o consumidor, porque não sabemos nem o que vai acontecer amanhã”, diz o empresário.