Regional

Fase de adaptação é a mais difícil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A Escola Deputado Paulo Ornellas Carvalho de Barros de Garça (70 quilômetros a noroeste de Bauru) fica na entrada da cidade e recebe meninos e meninas na faixa etária de 14 a 16 anos. Adolescentes que estão saindo de casa pela primeira vez, com dificuldades para enfrentar os primeiros dias no ‘internato’ moderno. Para amenizar o impacto, a escola desenvolve a ‘semana de integração’.

Os ‘bichos’ são recebidos no ‘internato’ pelos alunos veteranos e pelos professores com quem terão que conviver por até três anos, explica o diretor Carlos Eduardo Martini da Silveira Bueno. “A troca de experiências é superimportante na fase de adaptação. A diretoria aproveita a oportunidade para passar as normas de residência que estão longe da rigidez dos antigos reformatórios.”

A rotina na escola agrícola vai representar uma mudança de hábitos e de costumes na vida do adolescente. Por isso, a direção tenta prepará-los para enfrentar a nova realidade e para a vida. â€œÉ a primeira vez que eles saem de casa. Têm que aprender a viver sozinhos e isso exige responsabilidade.”

Fora a saudade, os novos alunos terão assumem a limpeza dos quartos, os cuidados com as roupas e pertences. “Na fase de adaptação cerca de 10% desistem.”

A convivência diária, na opinião do diretor, faz com que os adolescentes amadureçam e fiquem prontos para enfrentar a vida profissional. “Eles crescem e amadurecem. Nossos alunos saem prontos para o mercado de trabalho.”

O diretor frisa que o adolescente interno aprende a cumprir horário, além das demais atividades. “O internato tem regime interno. A entrada só é permitida até a meia noite e meia. Eles não podem trazer estranhos para o apartamento e têm horário para acordar, almoçar e jantar.”

O mercado de trabalho na área pecuária e florestal está em alta, acredita Bueno. “Está em expansão, especialmente nos Estados do Mato Grosso, Paraná e Acre.”

Ele lembra que um dos alunos da escola já está trabalhando no Acre. “O técnico em pecuária faz o manejo diário do gado, ele é o elo de ligação entre o veterinário e o peão. Na área florestal, o técnico faz vistoria em área de preservação permanente etc.”

Ele acredita que o internato faz com que os alunos estudem mais. “Eles preenchem o tempo com os estudos. Podem sair para ir ao cinema ou freqüentar as festas na cidade, desde que obedeçam as normas.”

Outra vantagem da escola, ressalta o diretor é que o aluno pode desenvolver um projeto próprio. “Como se fosse um laboratório. Pode inclusive comercializar os produtos, desde que uma determinada parte fique para a manutenção da escola”, avalia

A Escola deputado Paulo Ornellas Carvalho vai passar por mudanças que deverão transformar o ensino, avisa do diretor. “Um projeto desenvolvido por nós foi aprovado pela Ong Vitae. Vamos receber uma verba de cerca de R$ 360 mil. Com ela vamos construir um abatedouro suino e ovino. Vamos ter uma sala de processamento de carnes. Uma mini torrefação de café, também será instalada”, adianta.

Vida no campo

Juliana Girotto do Nascimento tem 20 anos e chegou em Garça vinda de Oscar Bressane, onde mora sua família. “Não é tão distante daqui, mas para se viajasse todos os dias não teria como assistir a aula, que começa às 7h. Para chegar aqui tenho que pegar um ônibus de Oscar Bressane para Marília e outro de Marília a Garça.”

Com os objetivos traçados, a aluna diz que não teve dificuldade em se adaptar a vida do campo. “Eu já tinha morado longe de minha mãe. Quando vim para cá encontrei amigos e é tão perto da cidade que quando tenho vontade de passear, vou a Garça.”

O adolescente Alex Rodrigo Soares Delgado, 16 anos, está há um ano e meio na escola. Veio de Bodoquena, Mato Grosso do Sul. “Fiquei sabendo do curso de pecuária e me interessei. Prestei o vestibulinho e após ser aprovado, vim.”

Como só visita a família nas férias e recesso escolar, ele acabou formando uma nova família. “Fiz amigos que hoje são minha família. Quando sinto saudade, ligo para os meus pais. Nos finais de semana vou para o shopping, lanchonete e igreja na cidade.”

Escala de limpeza

Cada apartamento tem quatro moradores e uma escala de trabalho de limpeza. “A escala tem que ser cumprida rigorosamente. O apartamento tem que ser limpo todos os dias”, diz o diretor Carlos Eduardo Martini da Silveira Bueno.

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