Uma parceria com o Instituto Camargo Correia acrescentou valores no ensino oferecido pela Escola Agrícola professor Urias Ferreira, explica a assistente técnica de direção, Leda Broio. “O projeto Vivenciando a Cidadania†acrescenta conhecimentos para a vida fora do colégio.
A parceria proporciona aulas extra-curriculares com música, esporte, grafitismo, filmes e acompanhamento psicológico. “Os estudantes participam da comunidade oferecendo seus conhecimentos para formação de horta comunitária, além de doarem sangue.â€
O contato com a espiritualidade também não é abolido no ‘internato’. “Um empresário construiu uma capelinha e mensalmente vem um padre rezar uma missa.â€
Sonho e pesadelo
A chegada do adolescente Marlon Miguel Martins de Morais, 17 anos, na escola agrícola de professor Urias Ferreira foi marcante para ele. “Eu vi o sonho virar pesadelo naqueles primeiros diasâ€, confessa. O sonho para ele, era estar ingressando na escola que pode garantir uma vida melhor do que a que seus pais levam na cidade de Itápolis de onde ele veio. “ Meus pais moram na periferia da cidade e eu pretendo dar uma vida melhor para eles. Com uma profissão definida poderei ter um futuro melhor.â€
O pesadelo dele era ficar numa fazenda, longe de barzinhos, meninas, paqueras e da família. “Inicialmente foi difícil. Eu achei que não iria agüentar. Ficava só no telefone falando com as amigas e com minha mãe.â€
O adolescente explica que passados dois anos a situação se inverteu. “Vou sair no meio do ano e já estou com saudade daqui. Acostumei a viver. Fiz uma família. O choque inicial foi substituído por felicidade. Estou feliz, aprendi a viver sozinhoâ€. comenta satisfeito.
O mercado de trabalho é o próximo desafio que o adolescente terá que enfrentar. “Acredito que na minha cidade não será difícil encontrar estágio e nem um emprego. Itápolis tem muita plantação de laranja. Tenho onde levar meu currículo, assim que estiver formado.â€
Além do ensino médio, Marlon Morais vai sair da escola com outras habilidades. “Fiz o curso técnico e estou fazendo violão. Meu pai tentou tocar violão e minha mãe também, não conseguiram. Aqui eu consegui aprender.â€
Tradição
O clima é tão familiar na escola que a maioria dos meninos ganham um apelido logo ao entrar. Uma característica da pessoa ou mesmo uma maneira de ser pode gerar um jeito carinhoso de ser chamado. André Luiz Couras, por exemplo, é o guru, enquanto que Wesley Machado Espereta é o metido. Apelido ganho por ele ter um jeito de mauricinho.
Espereta diz que o apelido pegou de tal maneira que muitos já nem sabem mais seu nome. “Eles me chamam direto de metido. Poucos sabem que eu chamo Wesley.â€
O vestuário dos alunos da escola agrícola é outro diferencial. Eles se vestem como ‘peão’. Usam calça jeans, cinturão com canivete, boné ou chapéu. O contemporâneo vem através do celular, um verdadeiro contraste com a vida no campo.
Diogo Rodrigues da Silva, por exemplo, 18 anos, aluno da escola, usa o vestuário habitual dos demais, porém, usa um celular para não perder o contato com a família e amigos.
A vida no campo também proporciona situações inusitadas. “O aluno Marcelo Priozi e Carlos César Forlini sempre viveram na cidade e não tiveram contato anterior com a vida no campo. “Eu nunca havia feito secagem de milho e nem sabia que ele precisava estar seco para armazenamentoâ€, confessa Priozi.