Noroeste 2005

Guerreiros que brilharam nos dois acessos


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Maurício cumpre promessa feita a Damião Garcia

Só um goleiro com tamanha vivência dentro do futebol e personalidade, como Maurício, poderia prometer ao presidente do clube, Damião Garcia, que "pegaria" o Noroeste na Série A3 e "devolveria" o clube na A1, em 2005. Foram exatamente essas palavras, que o goleiro, de 34 anos, revelado pelo Novorizontino e com passagens pelo Corinthians e Fluminense, disse ao presidente do Noroeste, quando chegou a Bauru, em janeiro, de 2004.

“Realmente, eu confiei no projeto, na seriedade da diretoria e no final deu tudo certo. O caminho foi difícil, complicado, mas a recompensa de ver os torcedores e o povo bauruense felizes superou todos os momentos adversos”, analisa o orgulhoso goleiro.

Voltando no tempo, no início da caminhada, que começou na disputa da Série A3, no ano passado, Maurício revela que em determinados momentos ficou preocupado.

“Tudo aconteceu muito rápido, desde a formação do time, em janeiro, tendo que estrear sem um entrosamento ideal dentro de campo, realizando uma campanha marcada por altos e baixos. O pior era conviver com a hipótese de frustrar uma cidade inteira, além da diretoria que não mediu esforços fora das quatro linhas”, revela.

Outro momento difícil, segundo Maurício, foi o quadrangular decisivo da A3, quando a equipe vinha de uma troca de técnico - saiu Túlio Tangioni e entrou Vitor Hugo - e, faltando apenas quatro jogos, a situação do time era alarmante.

“Nós não poderíamos perder mais nenhuma partida e, numa demonstração de união entre os jogadores, nós vencemos o restante dos jogos e, na última rodada, empatamos com o XV de Piracicaba, garantindo o acesso à A2”, relembra o goleiro, que havia, neste momento, cumprido metade do projeto e da promessa feita ao presidente Damião Garcia.

Em 2005, com a experiência adquirida na forma de atuar dentro e fora de campo, numa divisão onde o futebol é mais pegado e disputado, comparado aos campeonatos Paulista e Brasileiro da Primeira Divisão, Maurício revela que novamente o grupo passou por dificuldades, após algumas derrotas, na qual a qualidade do elenco chegou a ser questionada pelo próprio presidente Damião Garcia.

“Após uma seqüência de resultados negativos, onde o grupo perdeu o caminho das vitórias e realmente o rendimento estava abaixo do esperado, seu Damião Garcia e o Celso Zinsly entraram no vestiário e cobraram todo o elenco, mostrando como era importante a conquista do acesso, no sentido da valorização pessoal e profissional em nossas carreiras”.

O envolvimento desse goleiro tranqüilo fora de campo, mas que embaixo do gol, grita, orienta e, principalmente, passa aos mais jovens ensinamentos dos seus mais de 15 anos dedicados ao futebol, é tão grande que Maurício faz uma revelação da experiência vivida à frente do gol do Noroeste, nesse um ano e meio.

“Toda essa minha passagem pelo clube, a convivência na cidade, as lembranças dos jogos, treinos, discussões, alegrias e tudo o que envolveu esse projeto, com certeza, é tão ou mais gratificante do que os títulos na época de Corinthians”.

Agora, após a conquista de dois acessos consecutivos e a promessa cumprida ao presidente, o guerreiro encontra nos braços da esposa e das filhas, Gabriela e Giovana, o carinho e o descanso necessários, mas, como ele mesmo diz, não a sua aposentadoria.

“Com o objetivo alcançado de colocar o Noroeste na elite, eu espero jogar mais uns três anos no clube e ajudar no que for possível nessa nova caminhada, que será mais complicada ainda", revela o goleiro, que ainda brinca e deixa um recado aos torcedores bauruenses.

“Mesmo quando eu parar de jogar, vocês (torcida bauruense) não vão se livrar do Maurício, (risos), já que eu comprei uma casa aqui em Bauru e espero morar para sempre nessa cidade, que acolheu a minha família com tanto carinho. Nós aprendemos a gostar Bauru”, conclui Maurício.

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