Cultura

Gabriel O Pensador lança 'Cavaleiro Andante'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Após um disco ao vivo (“Ao Vivo MTV”), Gabriel O Pensador voltou ao estúdio e agora lança “Cavaleiro Andante”, seu sétimo disco e o que ele considera o mais completo da carreira.

As 11 faixas do novo CD revelam surpresas como samples de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, em “Bossa 9”; de “Pais e Filhos”, do Legião Urbana, em “Palavras Repetidas; e de “Imunização Racional (Que Beleza)”, de Tim Maia, em “Rap do Feio”.

O que seria a 12.ª faixa é, na verdade, o videoclipe da música “Tás a ver?”, que foi lançado em Portugal e não tem previsão de lançamento no Brasil.

Outra surpresa são as participações especiais. A mais inusitada delas talvez seja a do grupo Detonautas, que dá à música “Sorria” cara de rock’n roll. Além disso, tem Negra Li em “Deixa Rolar”, Adriana Calcanhoto em “Tás a Ver?” e o filho mais velho de Pensador, Tom, em “Sem Neurose”.

“Cavaleiro Andante”, gravado em Nova York e no Rio de Janeiro, também marca a volta do rapper às programações de bateria eletrônica. Em entrevista ao JC Cultura, Gabriel falou sobre a participação de seu filho no disco, sobre o processo de composição e sobre o momento atual de sua carreira. Confira a seguir alguns trechos.

JC Cultura - Como você avalia esse momento de sua carreira? Você se considera hoje mais maduro como músico? Gabriel - Eu acho que sim. Aprece auto-elogio, mas é uma coisa normal evoluir musicalmente depois de tantos discos - esse é o sétimo. Realmente a gente vai aprendendo novas maneiras de expressar as idéias não só no formato, mas no conteúdo. Uma coisa que eu acho que evoluiu na minha carreira foi a forma como uso a música para ajudar a enfatizar certas coisas da letra. A interação entre letras e música melhorou muito do início para cá. Normalmente o rap é uma coisa bem simples e não usamos tantos recursos do rock, mudanças de harmonia ou de peso mesmo, de pegada. Aprendi muito disso no disco ao vivo. Tem uma música chamada “Tempestade” que tem umas cordas, um lance tenso e intenso. Essa música me emociona pelas coisas que ela me fez escrever porque eu fiz a letra em cima da música.

JC - Você sempre compõe dessa forma? Gabriel - Nesse disco, por exemplo, foi meio a meio. Em metade, eu fiz a letra já dentro de um certo espírito que a música invocava. Tem uma curiosidade que, em vez de eu escrever a música, eu peguei um microfone e gravei meio de improviso, de freestyle, para as idéias virem sem pensar, meio que na intuição. Sem escrever o verso olhando para as palavras e de repente colocando a métrica mais certinha. É mais louco e mais livre esse processo. Eu fiz isso em algumas música e gostei.

JC - Você se considera um poeta? Gabriel - Eu me considero desde o começo do trabalho com a música. Eu acho que o rap é uma forma de poesia mesmo. Os músicos e os compositores que eu sempre curti são poetas da música, como Bob Marley, Renato Russo, Chico Buarque e outros. A música é poesia. Não só o rap. E eu voltei a escrever poemas em 1998, coisa que eu fazia quando moleque. É um lance que mexe comigo. Eu adoro poesia.

JC - Esse é o seu disco mais completo? Gabriel - Realmente sou suspeito para falar porque eu sou muito detalhista e quando coloco o ponto final num disco é porque estou feliz com ele. Essa foi a volta para o estúdio depois de um disco ao vivo. Isso foi determinante na busca pela sonoridade, nos samples que foram pintando. Eu sempre tentei variar nos temas dentro dos discos com um lado mais descontraído e outro mais emocionado. Um mais sério, outro mais brincalhão, digamos. Acho que aprendi a lidar, por exemplo, com a parte bem-humorada. Acho que eu evolui na maneira de escrever. É um exercício, você vai evoluindo.

JC - Como surgiu a participação do seu filho no disco? Gabriel - Foi bem espontâneo. Ele acompanha tudo, viaja com a gente nos shows. Ele fez 3 anos em Portugal. Em casa, ele também acompanhou tudo. Ele invade o estúdio mesmo em casa, mexe no computador e eu deixo ele mexer no microfone. Aí, eu vi que ele estava cantando certinho e resolvi gravar. Deixei ele bem à vontade. Ele ficou gravando com o fone e o microfone. Gravou um tempão. Eu editei, peguei as melhores partes e coloquei no final. Foi uma coincidência, mas a música faz uma alusão às crianças como uma fonte de tranqüilidade para nós, para lembrar que a gente pode ter um ritmo mais tranqüilo e para a gente lembrar de quando a gente mamava no peito.

JC - O que você tem ouvido? Gabriel - Happin Hood; eu gosto de Lenine; lá de fora tem um cara que é o Lyrics Born. É um cara que eu ouvi em Nova York e gostei, um rapper novo.

JC - Como está sua agenda? Gabriel - Graças a Deus a agenda está bem cheia para os dois primeiros meses. Vamos começar com circuito do Sesc no Rio e vamos para a estrada. Tem Sescs do Rio em junho e julho. E no dia 8 de julho vamos para Nova York para o Summers Stage, um show importante no Central Park, que é uma festa tradicional anual. A gente volta e tem show em Brasília, mais uns pelos Rio e aí vamos para Portugal, no fim de julho ou início de agosto. Depois, voltamos em agosto e continuamos a tocar por aqui.

JC - Tem previsão de tocar no Interior de São Paulo? Gabriel - Deve rolar show na região de Bauru, Marília, Jaú. Eu quero ir para aí. Adoro tocar por esses lados. Não é papo furado não.

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