O mês de junho é um dos mais temperados, atraentes e divertidos do nosso calendário religioso cultural. Nota-se pela ótima matéria de Ricardo Santana deste jornal (10/6), “Arraial une voluntários e tradições”, que Bauru não perdeu o sentido das festas deste mês, que resgatam o saber e a tradição popular e devocional da nossa gente.
Junho é mês de festas e santos populares. Época dos devotos de São João, Santo Antônio e São Pedro reforçarem suas orações e comemorarem o dia dedicado a cada um deles. Guardadas as crendices que se atribuem a eles, cada um deles tem uma história no catolicismo com significado religioso mais profundo. Dos três, Santo Antônio é o mais festejado e o mais solicitado em orações pela sua fama de ajudar a encontrar objetos perdidos, além de ser o protetor dos casados e enfermos, principalmente no que se refere à dor de cabeça.
Antônio de Pádua, também conhecido como Santo Antônio de Lisboa, que nasceu em Lisboa em 15 de agosto de 1195 e morreu em Pádua, em 13 de junho de 1231, monge português da Ordem Franciscana e doutor da Igreja, é o Santo patrono de Portugal e Pádua.
Quando nos deparamos com um artigo ou com um livro sobre Santo Antônio, vêm-nos imediatamente à memória os “santinhos”, as estampas, os quadros e aquelas várias imagens que desde criança, habituamo-nos a ver em todas as Igrejas (Bela Vista, Seminário de Agudos). As características mais comuns são a de um jovem alto, forte e bonito, quase adolescente, de traços bem latinos, vestido com o hábito franciscano; só a grande tonsura, um tanto desproporcional, parece não se enquadrar no conjunto. Esse jovem ou envolve o Menino Jesus num abraço pleno de ternura, ou tem em seu braço esquerdo um livro aberto ou fechado, o qual ocupa um espaço secundário, e sobre o qual está o Menino Deus, protegido pela mão e pelo braço direito, colocados às suas costas, ou segura-o com o braço e a mão esquerdos e porta um lírio na direita, ou, ainda, está distribuindo pães entre mendigos e idosos. É difícil, se não raríssimo, encontrarmos uma imagem que o recorde exclusivamente, vestido de franciscano e tendo um livro nas mãos. O povo não quis representá-lo assim, nem o conhece desse jeito.
Se indagássemos: Santo Antônio de Lisboa, Santo Antônio de Pádua, Santo Antônio do Descoberto (cidade de Goiás), Santo Antônio da Platina, Santo Antônio do Partenon (Porto Alegre), Santo Antônio da Praça do Patriarca (São Paulo), Santo Antônio do Pari (São Paulo), Fernando Martins de Bulhões, por acaso são a mesma pessoa? Acreditamos que a maioria dos brasileiros, dos portugueses e dos naturais de outros países responderia que não. Na verdade, são efetivamente a mesma pessoa, Santo Antônio, muito querido e louvado por seus milhões de devotos espalhados pelo mundo todo.
A maioria dos devotos pouco sabe de Santo Antônio e nem se interessa em saber mais sobre sua vida, sua pregação, sua espiritualidade. Basta-lhes sua presença benévola e taumaturga. Apenas onze meses após a sua morte, Frei Antônio foi canonizado em 30 de maio de 1232, ato esse proclamado solenemente por Gregório IX (1227-1239), embora não conste de sua biografia que tivesse feito milagres em vida, os quais, no entanto, passaram a acontecer, logo depois de sua morte, e numa profusão impressionante, como atesta a sua literatura biográfica.
A literatura sobre Santo Antônio deve ser lida e estudada por todos, pelos grandes méritos que tem. Por exemplo, há grande predominância de citações dos sermões (um para cada domingo do ano) os quais enfocam o social e o ético do tempo em que ele viveu; testemunha as mazelas morais da sociedade, tanto entre os clérigos como entre os leigos, as quais o zeloso pregador atacou com a veemência de um João Batista; denuncia os vícios e os pecados, aparecendo em primeiro lugar, a luxúria; a linguagem usada pelo pregador seria hoje motivo de zombaria, mas naquele tempo, estava em voga; leva-nos a entender hábitos e costumes da Idade Média e a evolução da Igreja do século XIII.
O autor, Gino Crês, é professor