Político já foi sinônimo de cidadão idealista, condignamente considerado por sua conduta ilibada, pela sua invejável cultura. Hoje, qualquer indivíduo moralmente destituído de algo que o habilite, por vezes semi-analfabeto, se acha com o direito de pleitear cargo político-administrativo, de relevante importância e responsabilidade. Isto vem trazendo como conseqüência, uma massificação do setor político.
O princípio de igualdade perante a lei é que vem causando essa licenciosidade, essa irresponsabilidade. Com isto, não queremos dizer que este “princípio” esteja errado. O problema advém em virtude da má-interpretação do referido “princípio”, dando azo a que cidadãos malpreparados, tanto moralmente quanto intelectualmente, se aventurem a cargos político-administrativos, que de forma alguma poderiam estar ao seu alcance. Há um axioma que esclarece muito bem essa situação: “Cada macaco em seu galho”. Seria muito bom se cada um soubesse reconhecer seus atributos e deficiências.
Na verdade, o que move tais cidadãos se aventurarem na política não é seu espírito altruístico; não é seu desejo de servir à coletividade. Ao contrário, é o desejo de ser servido por esta. É a ganância, o vedetismo, o narcisismo, a própria improbidade, que domina o “eu” desses cidadãos.
A culpa está no sistema político vigente, que permite ao seu grupo, as maiores liberalidades, colocando tais cidadãos em evidência. Daí, tornarem-se os poderes, em casos, dominados por quem não possui condições. Acham até, que fazendo parte de um poder, têm o direito de meter as mãos impunemente no erário público.
Embora a cúpula blasone, temos em vigência no Brasil um sistema político de cunho democrático, isto não é verdade. Em matéria de política, o que vigora neste país, infelizmente, é um arremedo de “aristocracia absoluta”. De um lado, os aristocratas que se eternizam no poder, gozando das mais amplas regalias; do outro lado o povo, a plebe estropiada pela massa de deveres.
Vivemos um tipo “sui generis” de aristocracia. A Aristocracia Severiana. Assim, como na Inglaterra existiu a era “vitoriana”, no Brasil estamos adentrando a era “severiana”. Não é uma política voltada a se fazer o desenvolvimento da Nação; visa apenas ao bem-estar de grupos, descartando o bem-estar da massa social brasileira, da comunidade. A verdadeira política, alicerçada nos princípios democráticos, é um idealismo ancorado na moralidade. Não é esse condenável e nauseante oportunismo que vem debilitando esta Nação.
Áureo Corrêa de Souza - RG 3.538.605