Não votei no Collor porque para mim ele tinha cara de louco. O louco inocente, manipulável. Mas agora todo mundo já sabe disso. Apoiei o governo Itamar Franco por entender que era um governo de transição. E lutei pelo governo FHC para também ajudar a fazer a coisa dar certo, na projeção do Brasil para o mundo e também dos produtos brasileiros, mostrando a todos que temos condições de estar no Primeiro Mundo, inclusive no Conselho de Segurança da ONU, que não somos mais uma ditadura sul-americana, a famosa "República das Bananas". A derrubada da inflação foi a vitória do governo FHC? Com toda certeza! Mas, no mundo capitalista, essa é a base de todo negócio: o capital e o crédito. Sem isso, não poderíamos ter o desenvolvimento do País no mundo globalizado. Se tivéssemos continuado como no governo Sarney, o Brasil estaria hoje numa condição semelhante a da Argentina: os caloteiros do mercado, um país de picaretas. Quem não honra seus compromissos, acaba com o crédito e compromete o futuro. Além do que, os bilhões de dólares que o governo argentino acha que economizou no calote vão ser pagos aos investidores ao longo do tempo na forma de juros mais caros pelos altos riscos em emprestar-lhes dinheiro.
Na época da última eleição presidencial, eu dizia a todos: ”Se o Lula for eleito, daqui a quatro anos estaremos piores que hoje”. Por uma simples razão. O Lula e o PT ficaram muito tempo afoitos tentando o poder e, nesse tempo todo, fizeram muitos “amigos” e prometeram favores a esses “amigos” quando chegassem lá, no Planalto. Pegaram uma locomotiva velha e endividada, que tinha acabado de ser colocada nos trilhos pelo Fernando Henrique Cardoso. Trocaram a turma que a operava e mantinha a máquina funcionando por esses “amigos” que os pegaram pela palavra: "Lembra quando nos encontramos na reunião do PT e você me disse se eu o apoiasse teria um cargo no governo? E você sabe que eu sempre te apoiei. É só dar uma olhada nos mapas das últimas eleições na minha região onde o PT ganhou todas". E, com isso, encheram o governo com Valdomiros, Burattis, Marinhos e muitos outros que, no futuro, acabarão aparecendo na imprensa.
As promessas de um governo social acabou virando um governo liberal com programas para acabar com a fome e a miséria nas mãos de quem não tem experiência administrativa e já tinha demonstrado isso nas duas vezes que ganhou a prefeitura de São Paulo. Funciona como jogar o dinheiro pela janela. Se o povão estiver pegando, ótimo. Acontece que, antes do dinheiro cair na panela de quem vive na miséria, algum “amigo” esperto já desviou para os bolsos. E as estatísticas econômico-financeiras-sociais-publicitárias crescem para “trocentos” bilhões de reais gastos em programas sociais. Mas quanto desse dinheiro realmente chegou no povão, lá na galera? Se tirar o que os amigos levaram no meio do caminho não vai sobrar muita coisa. Até time de futebol, que sempre foi roubado por dirigentes, passou por CPI e nada aconteceu. Agora, vai ganhar uma loteria para arrecadar dinheiro do povão e pagar o INSS dos clubes. Vai se criar mais uma teta na vaca dos cartolas. E, como esse povo adora um trio-elétrico, vai todo mundo seguindo, cantando, pulando e pagando... ladeira abaixo. “Lá vem o Brasil descendo a ladeira” (Moraes Moreira, 1979). A continuar nessa ladeira, o governo Lula corre o sério risco de enfrentar um processo de “impeachment”, semelhante ao do Collor, por corrupção e incompetência. No Interior sempre dizemos que: “Por onde passa um boi também passa uma boiada”.
O autor, Cesar Barros, é engenheiro e autor do livro “Seja um caçador de tesouros”