O mundo necessita de líderes para solucionar problemas e criar melhores condições de vida futura para as pessoas. Entretanto, há um grande desencantamento com as atitudes de certos líderes, especialmente na política, onde muitos, depois de eleitos, mudam de atitude e até de ideologia.
Nas empresas, também vemos presidentes guindados a posições de grande poder e remunerações elevadas e, no entanto, suas realizações são pífias e sequer contemplam parcialmente o que deles se esperava. Diante desse quadro, concluímos que a maneira como estamos forjando nossos líderes não está resultando em pessoas comprometidas com os objetivos e metas delas esperados.
Na 9.ª edição do livro “O Líder do Futuro”, da Peter Drucker Foundation, Editora Futura (2002), onde foram compilados artigos escritos por presidentes de empresas, professores e autores renomados sobre o tema, encontramos em James Bolt considerações baseadas em sua experiência de 16 anos como responsável pela educação executiva na IBM. A complexidade e a volatilidade das novas regras do mercado globalizado têm demonstrado a carência de líderes. Até o final do século 20, assumia-se que os executivos deveriam ser preparados para gerenciar as empresas.
Warren Bennis (1996), depois de estudar a vida profissional de 90 executivos de empresas listadas na revista Fortune 500, faz clara distinção entre gerenciar - que é fazer a coisa corretamente - e liderar - que é fazer a coisa certa. Ambas são funções importantíssimas e profundamente diferentes.
De fato, temos grande quantidade de bons gerentes, excepcionalmente talentosos, porém, poucos estão aptos a exercer a liderança, em que é imprescindível a combinação de competência e caráter. Para atingir a perfeita combinação, Bolt propõe os seguintes métodos:
Primeiro: Educação executiva interna por meio da identificação das falhas do treinamento em geral voltada para áreas técnicas e profissionais. Educar, diferentemente de treinar, é mudar a maneira de pensar, criar novas formas de refletir, analisar e decidir.
Segundo: Programas educacionais externos para desenvolver conceitos que envolvem a lideranças como: liderar em um mercado globalizado, construir e conduzir uma organização voltada para o cliente, liderança pela qualidade total, desenvolver uma organização inovadora e criativa, voltada ao aprendizado e pensamento estratégico. Esses programas deverão incluir estudos das teorias clássicas e contemporâneas sobre liderança, envolver os funcionários com o empowerment (delegação de poderes) e, finalmente, desenvolver a visão, objetivos, valores, metas, prioridades pessoais, compreensão da natureza das ciências, artes e os aspectos humanos.
Terceiro: Planejamento da sucessão examinando aspectos como melhorias contínuas na formação dos executivos a partir do sistema de recrutamento e seleção e preenchendo lacunas, preparando-os para cargos de liderança. Desta forma estaremos colaborando com a geração de líderes para o futuro.
O autor, João B. Sundfeld, é economista, mestre em educação e consultor da Sundfeld & Associados - Gestão Empresarial