A campanha de vacinação contra a poliomelite termina amanhã, mas muitos pais ainda não levaram seus filhos para serem imunizados. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, até ontem apenas 84,75% da população menor de 5 anos havia recebido a gotinha.
A meta do Ministério da Saúde era imunizar pelo menos 95% das crianças da faixa de cobertura da campanha. No entanto, de sábado até ontem, das 25.757 crianças com idade de 0 a 5 anos, apenas 21.829 compareceram ao posto de saúde para receber a dose preventiva.
De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, para estimular o comparecimento aos postos de saúde, foram feitas campanhas nas salas de espera das unidades básicas de saúde e nas escolas da rede municipal.
A baixa incidência da vacinação em Bauru pode ter explicações variadas. De acordo com a enfermeira responsável pela Unidade de Saúde do Jardim Godoy, Rachel Cristina Viola, algumas pessoas podem ter se acomodado com a situação tranqüila que o País tem hoje com relação à doença. “Como o Brasil não registra um caso de paralisia infantil desde 1989, pode ser que a população não estejam dando a real importância à imunização”, destaca.
Ela comenta que as pessoas costumam ficar alarmadas apenas quando se deparam com uma epidemia. “Tem gente que acredita que, como a pólio está sob controle no Brasil, nunca mais vai voltar, o que não é verdade”, destaca.
Outro fato que chama a atenção dela é que as pessoas têm o costume de perder o prazo da vacinação, achando que as doses sempre estarão disponíveis no posto de saúde. “Tanto é que, sábado, durante a campanha das crianças, apareceram idosos em busca da vacinação contra a gripe, realizada há cerca de dois meses”, ressalta.
Preocupante
A coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, Vera Porto, tem outra tese para a baixa porcentagem de imunizações. De acordo com ela, o número estimado de crianças na faixa etária de 0 a 5 anos pode estar equivocado. “Essa estatística não é exata. Muitas vezes, pode apresentar erros, estando superestimada”, salienta.
A diretora do Departamento de Saúde Coletiva Heloísa Lombardi explica, através da assessoria de imprensa da prefeitura, que os dados são estimados com base no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Como o levantamento é feito a cada dez anos, no intervalo entre um e outro é realizado um cálculo para se chegar à população estimada.
Por outro lado, Porto destaca que, se os números estiverem corretos, isso reflete uma situação preocupante. “A vacinação deve ser mantida, mesmo com a doença sob controle”, ressalta.
Ela diz que a Secretaria Municipal de Saúde precisa avaliar com precisão essa situação, para saber se há erro de cálculo populacional ou diminuição na procura pela imunização. “Se for constatado que as pessoas estão deixando mesmo de vacinar as crianças, é preciso tomar uma atitude para reverter esse quadro”, frisa.
A poliomelite é uma infecção causada por um vírus que pode incidir em qualquer idade, sendo mais comum em crianças menores de 3 anos. Pode levar à paralisia, muitas vezes irreversível. A evolução da doença é a pólio bulbar, que ataca os neurônios motores, reduzindo a capacidade respiratória e causando dificuldade para falar e engolir.
O único meio de evitar a doença é a prevenção através da vacina. Os postos de saúde estarão fazendo a imunização hoje e amanhã, das 8h às 17h. Todas as crianças de 0 a 5 anos devem tomar a gotinha, mesmo as que estiverem com tosse, gripe, rinite ou diarréia.