Pesca & Lazer

Nome da pesca é debatido em site

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 7 min

Em consulta realizada aos pescadores que freqüentam a Revista Virtual Pescarte durante o período de 1 de março a 30 de abril deste ano, os navegadores opinaram sobre o termo mais adequado para a pescaria. Com a possibilidade de escolher entre os adjetivos esportiva, amadora e ecológica, o resultado, que contou com a participação de 111 pescadores, apontou, com 64,86%, como melhor termo “pesca esportiva”. Do total, 22,52% optaram por “pesca ecológica” e 11,71% por “pesca amadora”.

A proposta da enquete foi buscar qual seria o melhor adjetivo para qualificar as práticas de pesca por passatempo e os internautas também tiveram a oportunidade de votar e justificar sua escolha, o que foi feito por 21 pescadores.

O editor da Revista Virtual Ezequiel Theodoro da Silva lembra que a pesca como passatempo ou ocupação do tempo tem recebido várias qualificações. Inclusive na legislação de pesca, é possível encontrar algumas denominações, como pesca amadora, esportiva, artesanal e profissinal. No site, outros termos também são identificados como de aventura e, mais recentemente, ecológica.

No olhar de Theodoro da Silva, a diversidade de qualificações podem, de certa forma, gerar confusão na esfera da identidade desse passatempo e, por extensão, na troca de informações sobre o assunto entre os pescadores ou outros interessados pelo tema.

Com esses questionamentos, a Revista Pescarte consultou os pescadores e chegou a algumas respostas. As opiniões incluídas refletiram também diferenças entre o tipo de pesca. “O fato é que da pesca em geral, realizada para efeito de alimentação do homem pelo sacrifício dos peixes, caminhou-se para um determinado tipo de prática em que os peixes não são sacrificados, mas sim objetos de busca para efeito de um embate com o pescador”, explica Theodoro da Silva, no site.

A discussão sobre o assunto, que começa no adjetivo e segue para muitos outros caminhos, como o questionamento de ambientalistas sobre o sofrimento do peixe liberado na pesca esportiva – tema para outra matéria – é ampla.

Hoje, a pescaria deixou de ser apenas uma atividade primitiva para a sobrevivência do homem para movimentar uma indústria e todo um segmento na economia mundial. Novas tecnologias foram agregadas à atividade pesqueira, seja ela profissional – em sistemas de localização via satélite – ou esportiva – com carretilhas e molinetes sofisticados e iscas artificiais cada vez mais eficientes. Talvez a pesca, no mundo contemporâneo, seja uma das poucas atividades em que o homem integra lazer, esportividade e contanto com a natureza. Uma forma de “fugir” do estresse, mas sem descartar desafios, pois a pesca esportiva é técnica, exige conhecimentos e habilidades do pescador modalidades artificial e mosca.

Na avaliação do site, “o percentual maior ficou por conta da expressão “pesca esportiva”. Ainda que essa prática específica de pesca tenha uma natureza ecológica e seja majoritariamente praticada por amadores, ela atende a quesitos de esportividade, talvez aqui entendida como fair-play, recreação, entretenimento, tendo no peixe um adversário-parceiro”.

O editor da Revista Pescarte também lembra que no Brasil o termo “pesca esportiva” foi introduzido principalmente por meio do trabalho pioneiro de Rubinho Almeida Prado. “Daí a força da tradição e a sua permanência no tempo, ainda que o ‘sport fishing’ americano envolva a disputa dos pescadores esportivos em vários tipos de campeonatos ou torneios, com precípua finalidade de ganhar prêmios substanciais”, acrescenta. Diferente do que ocorre no Brasil, onde o pescador pesca por prazer e lazer, pois não há grandes interesses em campeonatos e mesmo recordes.

Opiniões

Foram 21 pescadores que optaram por deixar sua opinião sobre o melhor adjetivo e houve aqueles que optaram por outros termos, como pesca de entretenimento. As justificativas são bastante interessantes, pois passam pela esportividade e meio ambiente. Cada um com seu conceito, mas com a pesca em comum, muito ainda há de se discutir sobre o tema.

Para o pescador Oscar de Azevedo Nolf, que acompanha os debates sobre pesca com constância, nos quais “o contato com a natureza, o ambiente ao redor, o prazer do recolhimento para reflexões”, são sempre temas citados nesses momentos. “Como também desfrutar a companhia de amigos especiais, superar nossos próprios limites de homens criados no ambiente urbano. Um monte de coisas além do desafio de encontrar e capturar o nosso parceiro peixe, sem contar a quase geral preocupação com a preservação desse parceiro e do ambiente onde ele vive. Não importa se é uma pescaria de barranco ou embarcada, com iscas naturais ou artificiais, no mar ou na água doce, a cada dia, mais e mais pescadores se aproximam desse modelo, desse ideal. Por isso, para mim, “pesca ecológica” define melhor o que praticamos.”

O biólogo Tiago Almeida é direto e afirma não simpatizar com o termo “ecológico”, pois considera que a palavra vem sendo deturpada no decorrer dos anos. “Eu prefiro o termo pesca esportiva, pois, para mim, o tipo de pescaria que pratico é um esporte. Não tenho nada contra, mas não considero ficar sentado em um barranco pescando em ceva, ou com qualquer tipo de isca natural um esporte. Quando o sujeito está ‘caçando’, o peixe, utilizando técnicas e equipamentos para testar qual melhor se encaixa em cada situação de pesca, se deslocando andando por quilômetros na margem de uma represa, dando ‘trocentos’ arremessos por dia, enfim, gastando energia, despendendo esforço físico, isso, para mim, é esporte. E, o mais importante, soltar o peixe. Afinal, alguém já viu ciclista destroçar sua bicicleta? Jogador de futebol estourar a bola? Golfista entortar o taco propositalmente?

Carlos Eduardo Ogasawara faz sua colocação. “Não penso em um nome exato para a pesca de entretenimento. Acredito que todas as formas de pesca - sadias, digamos assim - são para o entretenimento de qualquer ser vivo. Acho que o nome mesmo é pescaria, sem firulas. Apenas pescaria. Existem diversas modalidades (bait casting, fly fishing, ‘lingüiça’, fishing) e todos são um entretenimento saudável sem deixar de ser a pescaria.

Para o pescador Fernando A. F. Lopes “o importante não é achar um nome adequado para o livre e salutar exercício da pescaria, como forma de lazer. Não considero um esporte o ato de pescar, mas sim uma atividade de lazer e higiene mental. Portanto, o nome mais apropriado, sem dúvidas, é pescaria mesmo. Cada pessoa que pratica tal atividade, sem estabelecer horários e dias da semana, mas em determinados momentos de puro lazer, deve ter consciência da ação que está praticando a fim de não causar danos irreversíveis às fontes prazerosas, eixes, rios, etc.

Ádamo Andrade Gonçalves aponta o termo pesca esportiva como o mais adequado e justifica: “Pratico há aproximadamente 10 anos, apesar de achar o nome pesca ecológica bem legal também. Mas de amadora acaba não tendo muita coisa, tamanho o envolvimento que a gente tem com esse mágico universo. No meu caso acaba se tornando um pouco profissional, na medida em que estou praticamente vivendo, mesmo que modestamente, através desse mercado. Outros três nomes que gosto muito de ver associados à pesca são ‘aventura’, ‘ação’ e ‘emoção’. Portanto, acredito que ‘esportiva’ é a palavra mais próxima à síntese dessas três”.

Orlando Ferreira dos Santos faz vários questionamentos. “Pesca ecológica creio que não existe. A maior parte dos pescadores pratica a pesca amadora e se acham pescadores esportivos. A pesca amadora passa a ser esportiva quando tem dois ou mais pescadores competindo sob regras predeterminadas com a fiscalização de um árbitro que elege um vencedor. O pesque e solte pode ser inserido em um conjunto de regras da pesca esportiva, mas este ato de pescar e soltar por si só não define a pesca como esporte como muitos imaginam. Um grande engano que foi cometido entre nós foi quando um pescador da mídia em seu programa de TV quis ligar o nome pesca esportiva com o pesque e solte. Uma coisa não tem nada a ver com outra.”

Rogério Pedroni simplifica e dá seu recado: “Pesca de entretenimento! A pergunta contém a resposta! Nem todos são amadores, nem todos são esportistas e nem todos têm conduta ‘ecológica’.”

Fonte: www.pescarte.com.br

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