“Durante o regime militar, em uma barreira policial, foi preso o militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8 -, Antonio Carlos, por não ter carta de motorista. Em revista realizada no veículo, foi encontrada uma razoável quantidade de explosivos, que o preso negou terminantemente saber a quem pertencia ou sua procedência. Durante meses no famigerado quartel da rua Barão de Mesquita da Polícia do Exército, sustentou que havia sido preso por estar sem carteira de motorista e não houve nada que o fizesse assumir a responsabilidade pelos explosivos.
Às vezes, havia apresentação dos presos para alguma autoridade que aparecia no quartel. Ficavam em fila e, a cada nome chamado, saía de forma e anunciava alto o nome da organização a que pertencia:
- José Carlos, gritava o oficial do dia.
- PCBR, respondia o preso.
- Raimundo
- ALN
- Marcelo
- AP
- Antonio Carlos
- Sem carteira de motorista.
A gargalhada era geral e as bordoadas vinham depois.
Acabou saindo meses depois, sem qualquer processo, pois não houve tortura capaz de fazê-lo assinar a confissão”...
Lido em “A que horas vem o povo”, de Ricardo Lessa, e encaminhada por Antonio Pedroso Júnior.