Economia & Negócios

'Efeito dominó' aumenta preço da gasolina e álcool em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A alegria dos proprietários de veículos durou pouco. Depois dos postos de combustíveis passarem aproximadamente 20 dias comercializando o litro da gasolina comum a até R$ 1,96 e do álcool a R$ 0,86, os preços voltaram a subir para a média de R$ 2,27 (alta de 15,8%) e R$ 1,18 (alta de 37,2%), respectivamente. Donos de postos atribuem o fato ao “efeito dominó” do setor, que parece estar sendo determinado pela disputa de mercado entre as grandes distribuidoras de combustível.

“Quando alguém (dono de posto) baixa os preços, os outros acompanham para não perder mercado. E quando alguém sobe, todo mundo segue o ritmo porque ninguém agüenta vender muito barato por muito tempo. Com os preços que estavam (R$ 1,96 e R$ 0,86), a margem de lucro (dos empresários) estava tão pequena que quase não cobria os custos dos postos”, analisa o diretor comercial de uma distribuidora bauruense, Sérgio Luiz Ferreira.

Concorda com ele o empresário Edvaldo Tuschi, proprietário de postos de várias bandeiras na cidade. Segundo ele, tem sido cada vez mais comum as distribuidoras “bancarem” quedas de preços aos postos revendedores em função da chamada concorrência desleal, desencadeada por companhias menores que fazem constantes promoções.

“Esse ramo está uma loucura. Nem mesmo nós (donos de postos) temos condições de prever o que acontecerá no dia seguinte, porque a briga de mercado está muito acirrada. Por isso é que os consumidores devem criar o hábito de pedir nos postos para que seja feito o teste da gasolina e do álcool antes de abastecer. Dessa forma, as pessoas vão saber quem oferece produto de qualidade e darão preferência a esses estabelecimentos”, orienta Tuschi.

Como antes

Na prática, os preços em Bauru estão retornando ao patamar de antes da queda. No caso da gasolina, o litro chegou a custar até R$ 2,30 no mês passado. O álcool, agora na média de R$ 1,18, está um pouco abaixo do valor anterior à queda, quando girava em torno de aproximadamente R$ 1,34. Neste caso, o período de safra da cana-de-açúcar explica o preço atual.

Sérgio Ferreira observa que, no cenário atual, o mercado está tão competitivo que nem vale a pena alguns donos de postos continuarem vendendo combustível no patamar da semana passada enquanto outros sobem os preços.

“Para valer a pena, esses postos precisariam vender três vezes mais gasolina e álcool do que vendem agora, pois a margem de lucro deles fica muito baixa. Não existe milagre nesse setor e as distribuidoras não são culpadas, porque muitas vezes os próprios clientes (donos de postos) pedem para as companhias fazerem negociações mais acessíveis para que eles possam vender mais barato que os postos vizinhos, por exemplo”, aponta.

Fiscalização

Edvaldo Tuschi tem, ainda, uma outra versão para o aumento dos preços nesta semana. Segundo ele, como os valores caíram muito, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) mandou fiscais para a cidade. Eles teriam passado, segundo o empresário, mais de uma semana fazendo fiscalizações junto a vários estabelecimentos. Depois disso, os preços subiram.

“Os fiscais da ANP multaram todos os postos fiscalizados por estarem comprando álcool de distribuidoras menores, e não das que eles representam. Para a ANP, isso é errado, mas trata-se de uma portaria dela, e não de lei. O problema é que os postos estavam fazendo isso porques as companhias menores vendem álcool mais barato. Como elas conseguem fazer isso eu não sei, mas posso afirmar que o produto tem a mesma qualidade, porque isso nós comprovamos nos testes feitos antes de comprar o estoque”, diz.

A alta do álcool em Bauru, aliás, irritou o consumidor Roberto Gonçalez Cruz, que ontem procurou o Jornal da Cidade para protestar. Eles questiona o porquê dos preços terem subido novamente, em plena safra da cana - que também interfere no preço da gasolina por ter 25% de álcool em sua composição.

“Eu viajo muito e em várias cidades da região o álcool está bem mais barato, como São Carlos, Agudos, Piratininga. Em Jaú, o preço do álcool gira em torno de R$ 0,79 a R$ 0,82. Por que em Bauru tem que custar R$ 1,18? Eu já pagava esse preço lá (em Jaú) quando aqui o álcool chegou a custar quase R$ 1,40. Alguma coisa está errada e não temos para quem reclamar”, desabafa o consumidor.

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