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Ministério envia, mas Bauru não recebe a pílula do dia seguinte

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O Ministério da Saúde anunciou em fevereiro a compra e distribuição de pílulas contraceptivas emergenciais (do dia seguinte) aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O envio das remessas começaria por 1.388 municípios com mais de 100 mil habitantes, como é o caso de Bauru. A assessoria de imprensa do órgão informa que enviou 400 cartelas do medicamento a Bauru, mas a Secretaria Municipal de Saúde afirma que não recebeu os comprimidos que seriam entregues gratuitamente nas unidades básicas de saúde.

O paradeiro das pílulas tornou-se alvo de investigação do Ministério da Saúde há dois dias, desde que a assessoria de imprensa do órgão foi contatada pelo JC. Enquanto o mistério continuar, o poder público não tem como estimar quando os comprimidos estarão disponíveis nos postos de saúde do município.

Por causa do problema, todas as mulheres, inclusive as menos abastadas, desembolsam entre R$ 9,00 e R$ 21,00 para adquirir o medicamento, que deve ser utilizado somente quando há falha na utilização de outros métodos anticoncepcionais.

“Ele tem de ser usado em caráter emergencial, quando estoura a camisinha ou esquece a pílula. Não como método habitual. É uma grande quantidade de hormônio”, explica o chefe do departamento de ginecologia e obstetrícia da Maternidade Santa Isabel, Sérgio Henrique Antônio.

De acordo com ele, a pílula do dia seguinte faz com que o endométrio aumente e dificulte a fixação do ovo no útero (situação que dificulta a gravidez). O comprimido pode provocar dores abdominais, náuseas, vômito, dor de cabeça e sangramento vaginal irregular. Já o uso freqüente e a longo prazo pode resultar até em câncer de mama.

Apesar do risco, algumas usuárias se excedem. O namorado de uma delas, por exemplo, teria comprado três caixas num curto período de tempo, comenta o balconista de uma farmácia de Bauru, Paulo Sérgio Maurício. Há 26 anos na área, ele confirma o aumento da procura pela pílula, apontado pela IMS Health do Brasil.

A empresa, que faz consultoria para indústrias farmacêuticas, mostrou em matéria veiculada pelo jornal Diário de São Paulo que o consumo aumentou sete vezes em relação a 2000. A alta foi confirmada de modo empírico por outras quatro farmácias de Bauru. Em todas elas, a média de venda está equilibrada. São cerca de três ao dia no decorrer da semana e de dez aos sábados e domingos. O cálculo foi o mesmo tanto em estabelecimentos situados em áreas centrais como em bairros da periferia.

“A pessoa faz um sacrifício (mesmo quando considera o preço salgado). Vendo para jovens de 15 e 16 anos e para mulheres com trinta”, explica outra balconista, que pediu para ter o nome preservado.

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